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MS entra no radar nacional e ocupa 2º lugar em reconhecimentos por incêndios em áreas protegidas


Levantamento federal aponta 92 registros relacionados ao fogo entre 2016 e junho de 2026; Pantanal concentra parte importante dos episódios mais graves.
Brigadistas realizam queima prescrita na Serra do Amolar, no Pantanal de Mato Grosso do Sul, durante ação de prevenção e manejo do fogo (Foto: Edilaine Arruda/Brigadista do Amolar) Por: Editorial | 19/08/2026 15:26

Mato Grosso do Sul aparece entre os estados brasileiros mais atingidos por situações de emergência relacionadas a incêndios em áreas protegidas. Dados do Ministério da Integração e do Desenvolvimento Regional mostram que o Estado registrou 92 reconhecimentos federais desse tipo entre janeiro de 2016 e junho de 2026, o equivalente a 28,6% dos 322 casos contabilizados em todo o país. O número coloca MS na segunda posição nacional, atrás apenas de Mato Grosso, que soma 202 registros.

O impacto dos incêndios também chama atenção quando analisado o conjunto das ocorrências reconhecidas no Estado. Dos 261 registros de situações de emergência ou calamidade pública contabilizados no período, 138 tiveram os incêndios como causa, correspondendo a 52,9% do total.

Os dados foram levantados a partir de informações do MIDR, obtidas pela organização Fiquem Sabendo por meio da Lei de Acesso à Informação. A base considera registros por município, estado, tipo de desastre, ano e classificação da ocorrência.

No cenário nacional, a realidade é diferente. A estiagem lidera os reconhecimentos federais, com 14.558 registros, seguida pelas doenças infecciosas virais, com 13.875. Também aparecem entre as principais ocorrências a seca, com 5.703 registros, e as chuvas intensas, com 5.014.

Em Mato Grosso do Sul, entretanto, os incêndios têm participação muito mais expressiva. Além dos 92 reconhecimentos envolvendo parques, áreas de proteção ambiental e áreas de preservação permanente, o Estado contabilizou outros 46 casos classificados como incêndios em áreas não protegidas. Esse número representa 15,4% dos 298 registros nacionais dessa categoria e também garante a MS a segunda colocação no país, novamente atrás de Mato Grosso.

O ano de 2020 foi o período mais crítico da série histórica sul-mato-grossense. Naquele ano, foram registrados 94 reconhecimentos federais, correspondentes a 36% de todas as ocorrências contabilizadas no Estado durante o intervalo analisado.

A dimensão dos incêndios naquele período foi especialmente significativa no Pantanal. Cerca de 1,8 milhão de hectares foram atingidos pelo fogo em Mato Grosso do Sul, enquanto a área total consumida no bioma considerando também Mato Grosso ultrapassou 3 milhões de hectares.

Dos 94 reconhecimentos registrados em MS em 2020, 82 estavam relacionados a incêndios em áreas protegidas. A maior concentração ocorreu em setembro, que sozinho respondeu por 79 ocorrências daquele ano.

Antes desse período, as chuvas intensas tinham maior presença na série histórica. Entre 2016 e 2018, foram 48 reconhecimentos relacionados a esse tipo de evento no Estado. A mudança começou a ficar mais evidente a partir de 2019, quando sete dos nove registros contabilizados tiveram relação com incêndios.

Após o grande número de ocorrências provocadas pelo fogo em 2020, a estiagem ganhou destaque em 2022. Naquele ano, MS teve 50 reconhecimentos federais, sendo 33 relacionados à falta prolongada de chuvas.

Ao longo de toda a série analisada, o Estado contabilizou 35 reconhecimentos por estiagem. Desse total, 33 ocorreram somente em 2022 e os outros dois foram registrados em 2021.

Apesar do aumento naquele período, a participação sul-mato-grossense nos registros nacionais de estiagem permanece pequena. Os 35 casos correspondem a aproximadamente 0,24% dos 14.558 reconhecimentos registrados no Brasil.

Nos anos seguintes, os incêndios voltaram a ocupar posição de destaque. Em 2023, cinco dos nove reconhecimentos registrados em MS estavam relacionados a incêndios em áreas não protegidas. Em 2024, os 13 registros contabilizados tiveram o fogo como causa. Já em 2025, dez dos 11 reconhecimentos registrados no Estado estavam associados a incêndios.

Até 30 de junho de 2026, data limite da base analisada, Mato Grosso do Sul havia contabilizado quatro novos reconhecimentos. Dois estavam relacionados a chuvas intensas e outros dois a doenças infecciosas virais. Entre os municípios citados estão Dourados, Itaporã e Rio Negro.

Quando considerados todos os tipos de desastres, Corumbá aparece como o município sul-mato-grossense com maior quantidade de reconhecimentos federais no período, com 12 registros. Deodápolis e Miranda aparecem logo depois, com 11 cada. Aquidauana teve nove ocorrências, Bonito registrou oito, enquanto Jardim e Porto Murtinho somaram sete cada.

O reconhecimento federal de uma situação de emergência ou de calamidade não representa, por si só, a liberação automática de recursos. A medida permite que o município solicite auxílio federal para ações de Defesa Civil. Os pedidos são encaminhados pelo Sistema Integrado de Informações sobre Desastres e passam por avaliação técnica antes de uma eventual liberação de verbas. Com informações: MinutoMS

 

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