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Sala do Migrante oferece acolhimento, orientação e qualificação profissional para estrangeiros que buscam reconstruir a vida em Mato Grosso do Sul (Foto: Divulgação)
Por: Editorial | 21/08/2026 08:00
Recomeçar em um novo país pode significar enfrentar barreiras que vão muito além da distância de casa. Para muitos imigrantes que chegam a Mato Grosso do Sul, aprender o idioma, regularizar documentos e encontrar uma oportunidade de trabalho são etapas fundamentais para reconstruir a própria trajetória. Em Campo Grande, a Sala do Migrante reúne serviços voltados justamente a esse processo de adaptação e inclusão.
Coordenada pelo Ministério do Trabalho e Emprego (MTE), com apoio da Federação das Indústrias do Estado de Mato Grosso do Sul (Fiems) e de outras instituições parceiras, a iniciativa oferece atendimento, orientação documental, qualificação e encaminhamento profissional. Em pouco mais de um ano de funcionamento, mais de 2 mil pessoas foram direcionadas ao mercado de trabalho formal.
Entre as ações desenvolvidas está o curso de Português Técnico e Comunicação para Imigrantes, promovido pelo Senai. Com 60 horas de duração, a formação aborda não apenas o idioma, mas também aspectos da cultura brasileira, acesso a serviços públicos e comunicação necessária para o ambiente profissional.
A venezuelana Luisany Alexandra Reveron Gragirena participou da capacitação e afirma que aprender português contribuiu para aumentar sua autonomia. Segundo ela, o domínio da língua facilitou situações do cotidiano, como resolver questões documentais, estabelecer contatos e circular pela cidade com mais segurança.
O haitiano Smith Bien Aime também participou das aulas e avaliou que a metodologia tornou o aprendizado mais acessível. Para ele, a forma como os conteúdos foram apresentados ajudou os participantes a compreender melhor a língua e acompanhar as atividades.
A professora Maria Rosana Rodrigues Pinto Gama, responsável pela formação, destacou o envolvimento dos estudantes durante o curso. Segundo ela, o interesse dos participantes e a disposição para aprender marcaram a experiência em sala de aula.
O acolhimento também foi ressaltado por Maizmell Teresa Hernandez Rodriguez, da Venezuela. Para ela, a dedicação dos profissionais envolvidos contribuiu para tornar o aprendizado mais significativo.
A comunicação é apontada pelos próprios imigrantes como uma das principais necessidades durante o processo de adaptação. Liliana Josefina Alvarez Maestre, também venezuelana, afirmou que a dificuldade de se comunicar pode gerar insegurança para quem acaba de chegar ao Brasil e que iniciativas de capacitação ajudam a superar essa barreira.
Para o superintendente regional do Trabalho em Mato Grosso do Sul, Alexandre Cantero, a proposta busca aproximar trabalhadores imigrantes das oportunidades disponíveis no Estado, ao mesmo tempo em que contribui para a formalização das relações de trabalho.
A presidente da Associação Venezuelana em Campo Grande, Mirtha Carpio, acompanha parte dos atendimentos realizados pela iniciativa. Ao lado de representantes da comunidade haitiana, ela relata que muitos imigrantes chegam à capital depois de trajetórias difíceis, deixando familiares, empregos e propriedades nos países de origem.
Segundo ela, a existência de um espaço que concentre orientação, documentação, qualificação e encaminhamento profissional pode facilitar a adaptação de quem busca começar uma nova etapa no Brasil.
A Sala do Migrante também conta com a participação de instituições como a Universidade Estadual de Mato Grosso do Sul (UEMS) e o Sindicato das Indústrias de Frios, Carnes e Derivados do Estado de Mato Grosso do Sul (Sicadems). Para o presidente da entidade, Régis Comarella, a capacitação profissional está associada à possibilidade de os imigrantes conquistarem maior independência e novas perspectivas.
Como parte da continuidade do projeto, o Senai prepara uma nova capacitação voltada ao público atendido pela Sala do Migrante. O próximo curso será de Segurança no Trabalho e Prevenção, com duração de 16 horas.
A iniciativa pretende ampliar o acesso dos participantes à qualificação profissional e facilitar a entrada em áreas que apresentam demanda por trabalhadores preparados em Mato Grosso do Sul. Com informações: Campo Grande News
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