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Mina Pela Ema, em Minaçu, Goiás, é operada pela Serra Verde e produz terras raras utilizadas na fabricação de ímãs de alto desempenho (Foto: Divulgação)
Por: Editorial | 24/08/2026 16:11
A disputa global por minerais estratégicos ganhou um novo capítulo nesta segunda-feira (24), com o avanço da empresa norte-americana USA Rare Earth na aquisição da Serra Verde, mineradora responsável pela operação de terras raras em Minaçu, no norte de Goiás. A companhia informou ter assegurado os recursos necessários para viabilizar a compra, mas a conclusão do negócio ainda depende da aprovação dos acionistas, prevista para sexta-feira (28).
A operação envolve US$ 1,55 bilhão, aproximadamente R$ 7,7 bilhões. Desse montante, US$ 750 milhões, cerca de R$ 3,8 bilhões, serão provenientes do governo dos Estados Unidos. O restante deverá ser composto por outras fontes de financiamento, incluindo uma linha de crédito de até US$ 500 milhões.
Além do aporte financeiro, o governo norte-americano assumiu o compromisso de adquirir pelo menos US$ 300 milhões em produtos de terras raras ao longo de cinco anos. O acordo, portanto, não representa uma compra direta da mineradora pelo governo dos Estados Unidos. A aquisição será feita pela USA Rare Earth, enquanto o governo participa do financiamento e estabelece contratos de compra da produção.
A Serra Verde opera a mina Pela Ema, em Minaçu, onde a produção comercial começou em 2024. O projeto utiliza depósitos de argila iônica para extrair terras raras, um tipo de formação geológica considerado relevante para a obtenção de determinados minerais estratégicos.
Entre os elementos produzidos estão neodímio, praseodímio, disprósio e térbio, utilizados na fabricação de ímãs de alto desempenho. Esses materiais estão presentes em diferentes setores, incluindo veículos elétricos, equipamentos eletrônicos, sistemas de geração de energia e aplicações relacionadas à indústria de defesa.
O interesse norte-americano está ligado principalmente à necessidade de diversificar as fontes de fornecimento desses minerais. A China possui forte domínio sobre etapas importantes da cadeia mundial, especialmente processamento e refino, o que aumenta a preocupação dos Estados Unidos em garantir alternativas fora do mercado chinês.
O Brasil aparece nesse cenário como um fornecedor estratégico. De acordo com dados citados pelo Ministério de Minas e Energia, o país possui uma das maiores reservas mundiais de terras raras, estimadas em cerca de 25% do total global.
Com a aquisição, a USA Rare Earth pretende ampliar sua participação na cadeia produtiva, conectando a mineração realizada no Brasil a operações de processamento, produção de metais, ligas e fabricação de ímãs mantidas pela companhia nos Estados Unidos e no Reino Unido.
A empresa norte-americana anunciou o acordo para comprar a Serra Verde em abril deste ano. Mais de US$ 1 bilhão já havia sido destinado ao projeto brasileiro antes do anúncio dos novos recursos.
O negócio é acompanhado com atenção devido à importância crescente das terras raras para setores considerados estratégicos. A combinação entre mineração, tecnologia, indústria automotiva e equipamentos de defesa transformou esses minerais em peças relevantes da disputa econômica e geopolítica internacional. Com informações: g1
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