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Uso de medicamentos para tratamento da obesidade em crianças e adolescentes deve ocorrer somente com indicação e acompanhamento médico. (Foto: Reprodução)
Por: Editorial | 25/08/2026 16:22
O uso de medicamentos conhecidos popularmente como canetas emagrecedoras por crianças e adolescentes sem indicação médica ou acompanhamento especializado preocupa a Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP). A entidade publicou um alerta sobre os riscos associados ao uso inadequado de medicamentos da classe dos agonistas do receptor GLP-1 e reforçou que essas substâncias possuem indicações específicas para o tratamento de determinadas doenças.
Segundo a SBP, a utilização sem supervisão profissional pode aumentar a possibilidade de efeitos adversos e trazer consequências para a saúde e o desenvolvimento de crianças e adolescentes. Entre os problemas citados estão desidratação, alterações nos níveis de eletrólitos, perda de massa muscular, comprometimento do crescimento e desenvolvimento, pancreatite e alterações na vesícula biliar.
A entidade também chama atenção para o uso desses medicamentos com finalidade exclusivamente estética. De acordo com o alerta, a busca por mudanças na aparência corporal pode contribuir para o desenvolvimento ou agravamento de transtornos alimentares, além de estar associada a problemas emocionais relacionados à imagem corporal.
Outro ponto destacado pelos pediatras é a necessidade de evitar produtos sem procedência ou que não tenham registro sanitário. Preparações clandestinas, manipuladas sem respaldo adequado ou medicamentos importados sem registro na Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não são recomendados pela entidade.
A SBP ressalta ainda que adolescentes com peso considerado adequado não devem utilizar esses medicamentos apenas para modificar a aparência ou alcançar determinados padrões estéticos. Mesmo nos casos em que há diagnóstico de obesidade ou diabetes tipo 2, a prescrição não deve ocorrer de maneira automática.
Antes de indicar o tratamento, o médico deve analisar o quadro clínico do paciente, os resultados de medidas adotadas anteriormente, a existência de outras doenças, os possíveis riscos, a capacidade de acompanhamento e as expectativas da família e do próprio paciente.
A entidade recomenda ainda que o termo “canetas emagrecedoras” seja substituído por “medicamentos para tratar a obesidade”. Para a SBP, a mudança ajuda a reforçar que a obesidade é uma doença crônica e que o tratamento tem como objetivo principal melhorar a saúde e a qualidade de vida, e não apenas promover redução de peso.
Entre os efeitos adversos mais frequentes estão náuseas, vômitos, refluxo, azia, diarreia e constipação. Esses sintomas tendem a aparecer principalmente durante o período de aumento gradual das doses.
A perda de massa magra também exige atenção e pode demandar ajustes na condução do tratamento. Entre as complicações consideradas potencialmente graves estão pancreatite, hipoglicemia e cálculos na vesícula biliar.
A Sociedade Brasileira de Pediatria destaca que estudos científicos apontam eficácia e segurança desses medicamentos em adolescentes quando utilizados dentro dos critérios avaliados e associados a mudanças no estilo de vida. O alerta, portanto, está relacionado principalmente à utilização indiscriminada e sem acompanhamento profissional.
Os medicamentos também apresentam contraindicações específicas. A SBP orienta que não sejam utilizados por pessoas com hipersensibilidade aos princípios ativos ou componentes das fórmulas, gestantes e lactantes, além de pacientes com histórico pessoal ou familiar de carcinoma medular da tireoide ou síndrome de neoplasia endócrina múltipla tipo 2. Casos anteriores de pancreatite exigem avaliação médica individualizada antes de qualquer decisão terapêutica. Com informações: Fátima Informa
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