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Produção agropecuária continua presente no território de Campo Grande, que amplia investimentos em grãos, tecnologia e agroindústria (Foto: Sistema Famasul)
Por: Editorial | 26/08/2026 09:31
Campo Grande completa 127 anos com uma história que começou muito antes da expansão urbana. Nascida em meio às rotas das boiadas e às grandes áreas de pastagem do Cerrado, a Capital de Mato Grosso do Sul transformou sua relação com o campo ao longo das décadas, mas mantém o agronegócio como um dos pilares de sua economia.
Atualmente, apesar do perfil predominantemente urbano, mais de 93% do território municipal ainda é considerado rural. Dados do Departamento Técnico do Sistema Famasul, elaborados com base no Sistema de Cadastro Ambiental Rural, apontam a existência de 2.823 propriedades distribuídas por aproximadamente 754,2 mil hectares.
A pecuária bovina foi fundamental para a formação econômica do município. No fim do século XIX, as pastagens naturais favoreceram a criação de rebanhos e a instalação das primeiras propriedades. As comitivas que atravessavam a região também impulsionaram atividades comerciais e serviços que contribuíram para o surgimento e crescimento do núcleo urbano.
Outro momento decisivo ocorreu em 1914, com a chegada da Estrada de Ferro Noroeste do Brasil. A ligação ferroviária facilitou o transporte de animais e mercadorias e aproximou Campo Grande dos grandes centros consumidores, especialmente São Paulo. A nova estrutura logística também favoreceu o surgimento de atividades de processamento e consolidou a cidade como importante ponto de comercialização da produção regional.
Com o passar dos anos, as rodovias ganharam espaço no transporte, mas a força do agronegócio permaneceu. Em 2025, cerca de 98% das exportações de Campo Grande tiveram relação com o setor, movimentando US$ 758,1 milhões. As carnes representaram 82,5% desse total.
A produção rural, entretanto, deixou de depender exclusivamente da pecuária. O município passou por uma importante diversificação de atividades. As áreas destinadas às pastagens, que ocupavam aproximadamente 583,1 mil hectares em 2010, passaram para cerca de 396,2 mil hectares em 2025, enquanto a produção agrícola avançou de forma expressiva.
A soja é um dos principais exemplos dessa mudança. A área cultivada aumentou de aproximadamente 15,4 mil hectares em 2010 para 142,5 mil hectares em 2025. Na segunda safra, milho, milheto e sorgo ocupam quase 90 mil hectares. O cultivo de eucalipto também apresentou expansão, passando de 9,1 mil para 66,9 mil hectares no mesmo período.
A redução das áreas de pastagem não significa, necessariamente, perda de relevância da pecuária. O setor passou por processos de modernização envolvendo genética, nutrição, manejo e tecnologias voltadas ao aumento da produtividade.
Ao mesmo tempo, máquinas mais eficientes, monitoramento climático, análise de dados, automação, rastreabilidade e agricultura de precisão passaram a fazer parte da rotina de propriedades rurais. A presença de universidades, instituições de pesquisa, empresas e startups em Campo Grande contribui para aproximar inovação e produção.
Para os próximos anos, a tendência é de ampliação da diversidade produtiva. Atividades como horticultura, fruticultura, produção de leite e derivados, avicultura, ovinocultura, apicultura, piscicultura, produção orgânica e agroindústrias de pequeno porte aparecem como oportunidades de crescimento.
A proximidade entre a zona rural e um grande mercado consumidor também cria espaço para fortalecer a agricultura familiar e agregar valor à produção por meio do processamento de alimentos e da venda direta.
Outro fator que pode favorecer o setor é a localização estratégica de Campo Grande e a possibilidade de ampliar sua integração logística com outros mercados por meio da Rota Bioceânica. A expectativa é que esse cenário contribua para atrair empresas, centros de distribuição, empreendimentos agroindustriais e negócios ligados à tecnologia.
Depois de mais de um século de desenvolvimento, a Capital mantém uma forte conexão com suas origens. A pecuária que ajudou a abrir os primeiros caminhos deu lugar a uma economia rural mais diversificada, tecnológica e integrada. Aos 127 anos, Campo Grande segue crescendo sem deixar para trás uma das principais bases de sua identidade e de sua economia: o campo. Com informações: FAMASUL
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