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Ranking sexual expõe universitárias e acende alerta sobre misoginia organizada em Presidente Prudente


Investigação policial reúne denúncias de vítimas e especialistas explicam como práticas coletivas de humilhação e exposição podem gerar responsabilização criminal.
Polícia Civil investiga a exposição de universitárias em suposto ranking de teor sexual em Presidente Prudente, no interior de São Paulo. (Foto: Redes Sociais/Reprodução) Por: Editorial | 26/08/2026 15:43

A exposição de universitárias em um suposto ranking de teor sexual, compartilhado em um grupo fechado de mensagens em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, provocou indignação e abriu uma discussão sobre a violência contra as mulheres no ambiente digital. O caso é investigado pela Polícia Civil, que já recebeu denúncias de pelo menos 10 vítimas.

O conteúdo teria utilizado fotografias das estudantes para submetê las a avaliações de caráter sexual e depreciativo. A divulgação do material ultrapassou o ambiente privado em que teria sido produzido e levou vítimas a procurar as autoridades. O episódio também provocou manifestações em frente à instituição de ensino.

Para a psicóloga e professora Viviane Melo de Mendonça, coordenadora do Núcleo de Estudos de Gênero, Diferenças e Sexualidades da Universidade Federal de São Carlos, a expressão “misoginia organizada” ajuda a compreender a dinâmica do episódio. Segundo ela, o termo descreve uma ação coletiva, planejada e estruturada, sem representar uma classificação jurídica.

A especialista explica que a prática vai além de uma manifestação individual de preconceito. A utilização de imagens das estudantes, a criação de critérios para avaliá las e a circulação do material em um grupo específico indicariam uma dinâmica coletiva de objetificação das mulheres.

O episódio também apresenta, segundo a psicóloga, elementos relacionados a outras formas de preconceito. Comentários feitos no grupo teriam excluído determinadas mulheres com base em características físicas e orientação sexual, o que pode revelar a combinação de misoginia com gordofobia e lesbofobia.

Misoginia e machismo não são sinônimos

Embora estejam relacionados, misoginia e machismo possuem significados distintos. A misoginia está associada à hostilidade, ao desprezo ou à aversão dirigida às mulheres por serem mulheres. Já o machismo representa um conjunto de valores e comportamentos que estabelece uma relação de superioridade masculina e contribui para a desigualdade entre homens e mulheres.

Na avaliação de Viviane, a misoginia pode funcionar como uma forma de manutenção dessa hierarquia, especialmente por meio de práticas de humilhação, vigilância, intimidação, controle e objetificação.

O ambiente virtual pode potencializar esse tipo de comportamento. De acordo com a especialista, fotografias e mensagens podem ser copiadas e redistribuídas rapidamente, fazendo com que o conteúdo continue provocando danos mesmo após a publicação original ser removida.

Ela também chama atenção para o papel dos mecanismos de recomendação das plataformas digitais, que podem favorecer conteúdos capazes de gerar grande interação. Nesse contexto, discursos hostis podem alcançar públicos maiores e permanecer circulando por mais tempo.

Influência de comunidades virtuais

A discussão também envolve comunidades digitais associadas ao chamado movimento “red pill”, expressão utilizada para identificar grupos e conteúdos que difundem determinadas visões sobre relações entre homens e mulheres.

Na avaliação da psicóloga, parte desses discursos transforma frustrações pessoais, afetivas e profissionais em ressentimento contra as mulheres. A expansão de ideias desse tipo, segundo ela, pode criar ambientes de validação coletiva de comportamentos hostis.

O que pode acontecer com os investigados

A misoginia, isoladamente, não possui atualmente uma tipificação penal específica no Brasil. Isso, porém, não significa que determinadas condutas praticadas em episódios dessa natureza estejam livres de responsabilização.

A advogada Renata De Vito explica que, caso as investigações comprovem a participação dos envolvidos e as circunstâncias previstas em lei, diferentes enquadramentos jurídicos poderão ser analisados. Entre as possibilidades mencionadas estão crimes contra a honra, uso indevido de imagem e outras condutas relacionadas à exposição e ao constrangimento das vítimas.

A definição de eventual responsabilidade dependerá das provas reunidas e da participação individual de cada suspeito. A investigação deverá apurar, entre outros pontos, quem criou ou administrou o grupo, quem reuniu as imagens, quem produziu o material e quem participou de sua divulgação.

A Polícia Civil continua realizando diligências para esclarecer o episódio. Paralelamente, o caso reforça a importância de preservar provas digitais e de procurar as autoridades diante de situações envolvendo exposição não autorizada, constrangimento ou violência contra mulheres. Com informações: g1

 

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