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Enchente repentina atinge Nepal e Tibete e deixa centenas de desaparecidos


Uma avalanche de gelo e rocha pode ter provocado a rápida elevação das águas; equipes de resgate trabalham para localizar sobreviventes e pessoas desaparecidas em meio às dificuldades de acesso.
A inundação provocou destruição em diversas áreas da região e mobilizou equipes de resgate em busca de sobreviventes e desaparecidos. 26/08/2026. Foto: Prabin Ranabhat/AFP. Por: Editorial | 26/08/2026 20:46

Uma das mais graves tragédias naturais dos últimos anos atingiu nesta quarta-feira, 26 de agosto de 2026, a região do Himalaia, na fronteira entre o Nepal e o Tibete, após uma inundação repentina de grandes proporções destruir casas, estradas, pontes e estruturas de geração de energia.

No Nepal, os distritos de Rasuwa e Nuwakot estão entre as áreas mais afetadas. A força das águas e da lama atingiu comunidades inteiras às margens dos rios Lhende e Bhote Koshi, arrastando veículos, construções e importantes trechos da infraestrutura local. Pelo menos 19 pontes e cerca de 40 quilômetros de estradas foram danificados, segundo as autoridades nepalesas.

O número de mortos aumentou rapidamente ao longo do dia. O governo do Nepal havia confirmado 95 corpos recuperados até a noite desta quarta-feira, mas atualizações posteriores de agências internacionais apontaram 157 mortos no lado nepalês. No Tibete, autoridades chinesas confirmaram outras três mortes. Como as equipes ainda trabalham em áreas de difícil acesso, o balanço pode aumentar.

A situação dos desaparecidos também é dramática. Centenas de pessoas continuam sem contato com familiares e autoridades, entre elas turistas estrangeiros, trabalhadores de projetos hidrelétricos e agentes das forças de segurança. Somente no Nepal, autoridades informaram que 391 turistas estrangeiros e 93 turistas nepaleses estavam sem contato, além de dezenas de trabalhadores e agentes de segurança. No lado chinês da fronteira, outras 265 pessoas foram dadas como desaparecidas.

Possível avalanche pode ter desencadeado a enchente

As causas exatas da catástrofe ainda estão sendo investigadas. Avaliações preliminares de pesquisadores nepaleses e chineses indicam que uma avalanche de gelo e rochas, possivelmente originada de uma geleira, pode ter bloqueado o rio Lhende. O acúmulo repentino de água teria provocado uma ruptura e liberado uma enorme onda em direção ao rio Bhote Koshi, levando lama, pedras e detritos para as áreas habitadas.

Também há investigação sobre a possibilidade de um terremoto ter contribuído para desencadear o deslizamento. Um tremor de magnitude 4,4 foi registrado na região pouco antes do desastre, embora ainda não exista confirmação definitiva de que o terremoto tenha sido a causa da avalanche.

Especialistas também chamam atenção para a vulnerabilidade crescente da região do Himalaia diante do derretimento de geleiras e de eventos climáticos extremos. A combinação entre relevo montanhoso, chuvas de monção e instabilidade das geleiras pode aumentar o risco de inundações repentinas e deslizamentos.

Resgate enfrenta condições extremas

As operações de busca e salvamento continuam em andamento, mas são dificultadas pela destruição de estradas, pelas águas ainda elevadas, pela lama e pelos riscos de novos deslizamentos. Helicópteros foram mobilizados pelo Exército do Nepal, porém o acesso a algumas das áreas mais atingidas permanece limitado.

China, Índia, Coreia do Sul e organismos internacionais também acompanham a situação e oferecem apoio às operações de emergência. O governo nepalês orientou moradores que vivem próximos aos rios a procurar locais mais elevados diante do risco de novas inundações.

A tragédia também provocou graves prejuízos à infraestrutura energética. A autoridade de eletricidade do Nepal informou que instalações de geração, transmissão e distribuição foram danificadas, afetando o fornecimento de energia em áreas atingidas.

Uma região em estado de alerta

A enchente acontece durante o período das monções, quando fortes chuvas já representam um risco recorrente para comunidades do Nepal e de outras regiões do sul da Ásia. O desastre, no entanto, chamou atenção pela rapidez e pela enorme força da onda de água, lama e rochas.

Enquanto as buscas continuam, familiares permanecem à espera de notícias sobre pessoas desaparecidas. O cenário é de destruição e incerteza, mas também de mobilização de equipes de emergência que trabalham contra o tempo para localizar sobreviventes.

Neste momento de dor, nossas orações se voltam às famílias que perderam seus entes queridos, às pessoas que continuam desaparecidas e a todos aqueles que tiveram suas casas, comunidades e meios de subsistência destruídos. Que os socorristas encontrem força e segurança para continuar o trabalho e que as famílias recebam consolo, esperança e notícias daqueles que ainda estão sendo procurados.




Diário do Interior MS
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