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Nova bactéria descoberta por pesquisadores pode estar ligada à cegueira em bovinos


Microrganismo identificado em animais com sinais de ceratoconjuntivite abre novas possibilidades para pesquisas sobre diagnóstico, prevenção e controle da doença.
Pesquisadores identificaram nova espécie de bactéria em bovinos com sinais iniciais de ceratoconjuntivite infecciosa bovina (Foto: Luísa Berg/Embrapa Gado de Leite). Por: Editorial | 27/08/2026 08:42

Uma nova descoberta científica pode ajudar a explicar parte dos desafios enfrentados por produtores no controle de doenças oculares em bovinos. Pesquisadores da Embrapa, em parceria com a Universidade Federal de Juiz de Fora (UFJF) e o Instituto Biológico de São Paulo, identificaram uma espécie inédita de bactéria, denominada Moraxella tarda sp. nov., associada a animais que apresentavam sinais iniciais de ceratoconjuntivite infecciosa bovina.

A pesquisa começou com amostras coletadas na mucosa nasal de bovinos da raça Hereford na Embrapa Pecuária Sul, no Rio Grande do Sul. Posteriormente, os materiais foram submetidos a análises bioquímicas, fisiológicas e genômicas nos laboratórios da Embrapa Gado de Leite, em Minas Gerais, e da Embrapa Gado de Corte, em Mato Grosso do Sul.

Os estudos permitiram diferenciar a nova bactéria de espécies do mesmo gênero já conhecidas na medicina veterinária, como Moraxella bovis e Moraxella bovoculi. Para confirmar a descoberta, amostras representativas foram encaminhadas a coleções microbiológicas internacionais e nacionais, incluindo instituições da Bélgica, Portugal e o Instituto Adolfo Lutz, em São Paulo.

Segundo os pesquisadores, a identificação da Moraxella tarda amplia o conhecimento sobre os microrganismos que podem estar envolvidos na ceratoconjuntivite infecciosa bovina, conhecida entre produtores como cerato, mal do olho ou pinkeye. A descoberta também pode contribuir para novas investigações sobre a eficiência de métodos de prevenção e controle utilizados atualmente.

Uma das possibilidades levantadas pelos especialistas é avaliar se a presença da nova espécie pode estar relacionada a casos em que animais desenvolvem a doença mesmo após medidas preventivas. A identificação do agente pode, futuramente, auxiliar no desenvolvimento de estratégias mais abrangentes de imunização e manejo.

A ceratoconjuntivite é uma enfermidade que provoca inflamação, dor, lacrimejamento e lesões na córnea. Em quadros mais graves, o animal pode sofrer perda parcial ou total da visão. O desconforto causado pela doença também pode reduzir o consumo de alimento e comprometer o ganho de peso, gerando impactos na produtividade e aumentando a necessidade de cuidados no rebanho.

Apesar da descoberta representar um avanço no conhecimento científico, os pesquisadores ressaltam que ainda são necessários novos estudos para compreender a importância da Moraxella tarda na ocorrência e evolução da doença. As investigações poderão contribuir para aprimorar métodos de diagnóstico, conhecer melhor a distribuição do microrganismo e avaliar possíveis alternativas de prevenção.

A identificação da nova espécie teve início em 2018, com as primeiras coletas de campo, e contou com a colaboração de diferentes equipes e instituições de pesquisa. A caracterização do microrganismo representa mais um passo para compreender os agentes associados às enfermidades oculares dos bovinos e buscar soluções que reduzam os prejuízos provocados pela doença na atividade pecuária. Com informações: Embrapa Gado de Leite

 

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