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Enchentes carregadas de lama e detritos atingiram comunidades próximas à fronteira entre Nepal e Tibete após o colapso de uma geleira. (Foto: Reprodução)
Por: Editorial | 27/08/2026 09:09
Uma das maiores tragédias recentes na região do Himalaia deixou pelo menos 353 mortos e mais de 1,3 mil pessoas desaparecidas após uma gigantesca onda de água, lama, gelo e rochas atingir áreas próximas à fronteira entre Nepal e Tibete. Os números seguem em atualização à medida que as equipes conseguem acessar regiões devastadas pelo desastre.
A catástrofe começou na quarta-feira (26), quando uma avalanche de gelo e rochas associada ao colapso de uma geleira atingiu um rio na região montanhosa. O impacto provocou uma rápida elevação do nível da água e desencadeou uma enxurrada carregada de sedimentos e destroços, que avançou pelos vales e atingiu comunidades inteiras.
No Nepal, as autoridades contabilizavam 165 mortes e 826 pessoas ainda sem localização. Entre os desaparecidos estão centenas de estrangeiros, incluindo turistas, peregrinos e trabalhadores que estavam na região quando a inundação ocorreu. No Tibete, autoridades chinesas informaram três mortes e 558 desaparecidos, dos quais 260 são estrangeiros.
Somadas as informações divulgadas pelos dois países, o número de desaparecidos ultrapassa 1,3 mil. Atualizações posteriores apontam que a quantidade pode se aproximar de 1,4 mil, mas os levantamentos ainda podem sofrer alterações devido à dificuldade de confirmar se há pessoas contabilizadas simultaneamente nas listas do Nepal e da China.
A força da correnteza destruiu casas, estradas, pontes e estruturas de geração de energia. Imagens registradas após a passagem da água mostram áreas cobertas por lama e destroços, enquanto veículos foram arrastados e construções ficaram parcialmente soterradas.
As operações de busca e salvamento continuam em áreas dos distritos nepaleses de Rasuwa e Nuwakot. Helicópteros estão sendo utilizados para retirar pessoas isoladas, transportar feridos e levar alimentos e outros itens de emergência para comunidades que ficaram sem acesso terrestre.
A destruição da infraestrutura, porém, dificulta o trabalho das equipes. Pontes e trechos de estradas foram levados pela água, enquanto as condições instáveis das encostas aumentam o risco para os próprios socorristas.
No lado chinês, a situação também permanece preocupante. O condado de Gyirong, no Tibete, registrou centenas de desaparecidos após a onda de lama e água alcançar a região. Autoridades chinesas monitoram ainda uma área de água represada rio acima, devido ao risco de uma nova inundação caso a barreira natural se rompa.
A causa do fenômeno também passou a ser investigada. Informações de especialistas indicam que o desastre foi provocado por um colapso glacial seguido por uma avalanche de gelo e rochas, e não por um terremoto. O fenômeno teria bloqueado temporariamente o curso de um rio e, posteriormente, liberado uma enorme quantidade de água e detritos.
Pesquisadores também avaliam a relação entre a instabilidade das geleiras do Himalaia e as mudanças climáticas. O aumento do derretimento e da instabilidade das massas de gelo pode elevar o risco de eventos semelhantes na região, que possui comunidades, estradas e projetos de infraestrutura instalados em áreas vulneráveis.
O número de vítimas ainda pode aumentar. Muitas áreas continuam parcialmente isoladas e as equipes de emergência ainda trabalham para localizar pessoas que perderam contato com familiares. Enquanto as buscas avançam, autoridades mantêm alertas para possíveis novos deslizamentos e inundações. Redação
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