| Hoje é Segunda-feira, 31 de Agosto de 2026.

Aos 78 anos, cacica Guató transforma décadas de pesquisa em livro para preservar memória e língua do povo


Dalva Maria de Souza Ferreira reuniu relatos, costumes e palavras do idioma Guató em uma obra que pretende aproximar as novas gerações de suas raízes no Pantanal.
Cacica Dalva Maria de Souza Ferreira dedicou décadas de estudos à preservação da memória e da língua Guató (Foto: Arquivo Pessoal) Por: Editorial | 28/08/2026 08:14

Aos 78 anos, Dalva Maria de Souza Ferreira transformou mais de três décadas de estudos, pesquisas e convivência com anciãos em um projeto dedicado à preservação da cultura Guató. Cacica de seu povo, ela escreveu “Memórias e Dicionário Guató de Mathodjárho”, obra que reúne lembranças, tradições, costumes e um registro de palavras do idioma tradicional.

A publicação nasceu de uma preocupação que acompanha Dalva há anos: evitar que a língua e os conhecimentos transmitidos entre gerações sejam perdidos. Segundo ela, o povo Guató chegou a ser considerado extinto e permaneceu isolado por muitos anos, mas conseguiu manter sua identidade e hoje é reconhecido dentro e fora do Brasil.

O título da obra também carrega um significado afetivo. “Mathodjárho”, expressão presente no nome do livro, significa “flor selvagem” e foi o nome dado a Dalva pelo avô. A homenagem acabou se tornando uma inspiração para que ela continuasse pesquisando a história e os conhecimentos de seu povo.

A autora conta que seu trabalho foi construído a partir de estudos próprios, leituras de pesquisas anteriores e, principalmente, do contato com pessoas mais velhas da comunidade. Ao longo dos anos, ela reuniu informações sobre diferentes aspectos da vida Guató, incluindo atividades tradicionais desenvolvidas no Pantanal.

A relação com as águas ocupa espaço importante na obra. A pesca, a caça, a coleta de frutos, a produção de artesanato e o uso de canoas de madeira fazem parte dos registros apresentados pela cacica, que procura mostrar como os costumes estão ligados ao ambiente pantaneiro.

Um dos principais objetivos do livro é contribuir para a preservação do idioma. Dalva explica que a comunidade já conta com professores que trabalham a língua Guató na escola da aldeia, mas a redução no número de falantes tornou necessário criar materiais que possam auxiliar no aprendizado das crianças e das novas gerações.

O dicionário, portanto, não aparece apenas como complemento da publicação. A proposta é oferecer uma ferramenta de consulta para ajudar no ensino e na continuidade da língua, considerada por Dalva um dos pilares da identidade cultural de seu povo.

Para a cacica, preservar o idioma significa também proteger a história, os conhecimentos e as tradições construídas ao longo das gerações. A obra surge, assim, como um registro para o presente e um legado para os descendentes Guató.

Mesmo perto de completar 79 anos, Dalva afirma que pretende continuar produzindo. Entre os próximos projetos estão uma nova publicação, uma cartilha voltada ao ensino do idioma e até uma música escrita em língua Guató.

A primeira edição de “Memórias e Dicionário Guató de Mathodjárho” deverá ser disponibilizada em formato digital. A previsão é que o lançamento ocorra até setembro. Com informações: Campo Grande News

 

Divulgue sua marca conosco!
Sua empresa quer mais visibilidade e alcance de público? Entre em contato e anuncie conosco.

WhatsApp: (67) 2102-1069

Leve sua marca mais longe e conquiste novos clientes! 




Diário do Interior MS
NAVIRAÍ MS
CNPJ: 30.035.215/0001-09
E-MAIL: diariodointeriorms1@gmail.com
Siga-nos nas redes Sociais: