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Levantamento analisou propostas direcionadas às mulheres nos planos de governo de 12 candidaturas à Presidência da República. (Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil)
Por: Editorial | 01/09/2026 13:11
Um levantamento sobre os planos de governo de 12 candidaturas à Presidência da República mostra que as mulheres são contempladas por propostas de diferentes correntes políticas, mas ainda aparecem mais como beneficiárias de políticas públicas do que como participantes dos espaços de decisão.
A pesquisa, realizada pelo Instituto Update, analisou somente medidas apresentadas de forma explícita para as mulheres. A metodologia não classificou automaticamente como políticas específicas para esse público iniciativas gerais relacionadas a segurança, saúde, educação, emprego ou transporte.
Entre os temas mais frequentes estão o combate à violência, a saúde, a autonomia econômica e as políticas de cuidado. Em contrapartida, assuntos como participação política, presença feminina em cargos de liderança, segurança nos espaços públicos e autonomia aparecem com menor destaque.
Segundo o levantamento, nove dos 12 planos analisados, o equivalente a 75%, apresentam propostas diretamente relacionadas à violência contra as mulheres, ao feminicídio ou à proteção de vítimas. Quando são consideradas medidas sobre violência doméstica sem necessariamente estabelecer um recorte de gênero, o número sobe para dez programas.
As propostas variam entre ampliação de redes de atendimento e casas-abrigo, integração entre órgãos de segurança, Justiça, saúde e assistência social, monitoramento de agressores, medidas protetivas e mudanças na legislação penal.
Apesar da presença expressiva do tema, a pesquisa aponta que a insegurança enfrentada pelas mulheres no cotidiano ainda recebe atenção limitada. Apenas um dos planos analisados relaciona de maneira direta a segurança feminina com mobilidade e transporte urbano.
Dados de uma pesquisa realizada em 2026 pelo Instituto Update em parceria com o Instituto Fogo Cruzado ajudam a dimensionar o problema. O levantamento indicou que 79% das mulheres entrevistadas sentem medo ao sair à noite, enquanto 59% afirmaram já ter deixado de frequentar determinados locais por causa da insegurança. Além disso, 31,4% disseram ter deixado de utilizar algum meio de transporte pelo mesmo motivo.
Na área econômica, sete dos 12 programas, ou 58%, apresentam medidas específicas relacionadas a trabalho, renda, crédito, empreendedorismo ou independência financeira das mulheres. Em cinco deles também aparecem propostas relacionadas à igualdade de remuneração entre homens e mulheres.
O tema possui forte apoio entre as entrevistadas da pesquisa Mulheres em Diálogo, realizada em 2025 pelo Instituto Update. Segundo o levantamento, 94% das participantes concordam que homens e mulheres devem receber a mesma remuneração quando ocupam cargos equivalentes.
As propostas, porém, apresentam diferentes interpretações sobre como alcançar a autonomia financeira. Alguns programas priorizam emprego, direitos trabalhistas, proteção social e oferta de serviços públicos, enquanto outros destacam crédito, empreendedorismo, educação financeira e formação de patrimônio.
As políticas de cuidado também aparecem em sete dos 12 planos analisados. As propostas incluem principalmente creches e serviços públicos destinados a reduzir a sobrecarga de responsabilidades domésticas e familiares.
Em determinadas candidaturas, o cuidado é apresentado como uma estrutura pública capaz de liberar tempo para que as mulheres possam estudar, trabalhar e participar da vida econômica. Em outras, o assunto é associado principalmente à maternidade, à família e ao apoio às responsabilidades familiares.
O levantamento aponta que existe convergência sobre a importância do cuidado para a autonomia feminina, mas diferenças significativas sobre a responsabilidade pela atividade e o papel que o Estado deve exercer.
Outro ponto destacado pela pesquisa é a participação das mulheres na política. Embora pesquisas de opinião indiquem amplo apoio ao aumento da presença feminina em cargos públicos, poucas propostas específicas foram identificadas nos planos analisados.
Apenas uma candidatura apresentou medidas diretamente voltadas à participação político-eleitoral das mulheres, incluindo ações de enfrentamento à violência política de gênero, formação de candidatas e lideranças e regras relacionadas ao financiamento partidário.
Quando a análise é ampliada para a presença feminina em posições de liderança e tomada de decisão, outro programa passa a contemplar o tema, com propostas de incentivo à liderança das mulheres e compromisso de ampliar sua presença em determinadas posições de autoridade.
Para o Instituto Update, os resultados mostram que os programas eleitorais reconhecem diversos problemas que atingem diretamente as mulheres, mas ainda avançam de maneira limitada quando o assunto é ampliar a participação feminina na formulação de políticas e nos espaços de poder.
O levantamento também destaca que a existência de uma determinada pauta no plano de governo não significa necessariamente que exista uma política estruturada. Em diferentes casos, as propostas mencionam os problemas, mas apresentam poucas informações sobre metas, execução, instrumentos ou integração com outras políticas públicas. Com informações: Agência Brasil
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