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Família de bugios é acompanhada durante campanhas de monitoramento realizadas no corredor do Rio Sucuriú, em Inocência. (Foto: Sauá Consultoria Ambiental)
Por: Editorial | 01/09/2026 15:06
O registro de uma família de bugios formada por adultos e filhotes está ajudando pesquisadores a compreender melhor a dinâmica da fauna no corredor do Rio Sucuriú, em Inocência, Mato Grosso do Sul. O monitoramento realizado na região acompanha os animais ao longo do tempo e reúne informações sobre alimentação, deslocamentos, composição dos grupos, nascimentos e desenvolvimento dos filhotes.
A iniciativa utiliza diferentes técnicas para ampliar o conhecimento sobre a biodiversidade local. Entre os métodos empregados estão observações em campo, armadilhas fotográficas e drones equipados com sensores térmicos. A combinação das ferramentas permite localizar os animais mesmo em áreas de vegetação densa e acompanhar mudanças na composição e no comportamento dos grupos.
Até o momento, nove grupos de primatas foram identificados na área monitorada. Entre eles está uma família de bugios que ganhou nomes escolhidos pelo público após o nascimento de um filhote. Registros recentes mostram o jovem animal interagindo com os pais, além de imagens de outros filhotes brincando, informações que ajudam a acompanhar o desenvolvimento das famílias.
O trabalho concentra atenção principalmente no bugio-preto, de nome científico Alouatta caraya, e no macaco-prego-do-papo-amarelo, Sapajus cay. As duas espécies são classificadas como vulneráveis no Brasil, condição que indica risco elevado de desaparecimento na natureza.
Além dos primatas, o monitoramento identificou outras espécies na região, como tatu-canastra, anta, lobo-guará, tamanduá-bandeira e jaguatirica. Também foi registrado um grupo de queixadas com mais de dez indivíduos, ampliando o inventário da fauna existente no corredor.
A continuidade das copas das árvores é considerada importante para espécies arborícolas, que utilizam a vegetação para buscar alimento, abrigo e se deslocar entre diferentes áreas. Por isso, conhecer os caminhos utilizados pelos animais permite avaliar a conectividade dos ambientes e planejar medidas destinadas a reduzir impactos sobre a fauna.
Entre as ações previstas estão duas passagens superiores de fauna, planejadas para áreas relacionadas à captação de água e ao emissário de efluentes tratados. As estruturas terão aproximadamente 180 metros de extensão de vão livre e deverão contribuir para restabelecer a ligação entre trechos de vegetação separados pelas intervenções.
Os dados coletados também servirão como referência para avaliar a eficiência dessas medidas. O acompanhamento previsto antes da implantação das estruturas permitirá comparar os padrões de utilização da paisagem antes e depois das intervenções.
A previsão é que as estruturas sejam implantadas no primeiro semestre de 2027. Depois disso, o monitoramento continuará para verificar se os primatas utilizam as passagens e se elas cumprem o objetivo de facilitar a circulação entre os fragmentos de vegetação.
O programa prevê 20 campanhas de acompanhamento ao longo de cinco anos, com quatro etapas de monitoramento a cada ano. Em uma das metodologias utilizadas, cerca de 25 horas de busca ativa em campo resultaram na identificação de dois grupos. Já os drones localizaram sete dos nove grupos conhecidos após aproximadamente 24 horas de voo.
A tecnologia, segundo os responsáveis pelo acompanhamento, funciona como complemento às observações realizadas no solo. O uso de sensores térmicos pode ampliar a capacidade de localização dos animais em locais onde a vegetação dificulta a visualização direta.
Os primatas possuem ainda uma função relevante para o equilíbrio dos ambientes naturais. Ao se alimentarem de frutos e circularem por diferentes áreas, podem transportar sementes e colaborar para a regeneração da vegetação. Por dependerem de áreas florestais conectadas, também podem contribuir para indicar as condições de conservação desses ambientes.
O trabalho desenvolvido no corredor do Rio Sucuriú recebeu reconhecimento no Prêmio Destaques do Setor 2026, na categoria Recursos Naturais e Bioeconomia. A premiação destacou o emprego de drones com sensores térmicos e a utilização dos dados obtidos para auxiliar no planejamento de medidas ambientais.
O projeto está ligado à implantação de uma unidade industrial de celulose em Inocência. O empreendimento prevê investimento de US$ 4,6 bilhões e capacidade anual de produção de 3,5 milhões de toneladas de celulose de fibra curta. A área destinada ao projeto possui aproximadamente 3,5 mil hectares e está localizada a cerca de 50 quilômetros do centro do município.
A etapa de terraplanagem teve início em 2024 e a previsão de entrada em operação é para o fim de 2027. Durante o desenvolvimento do empreendimento, estão previstas ações de acompanhamento da fauna e da flora, além do mapeamento de áreas consideradas prioritárias para conservação.
Segundo as informações divulgadas pelo projeto, as obras também devem gerar milhares de oportunidades de trabalho durante sua execução e manter postos de emprego após o início das operações. A iniciativa integra uma estratégia de desenvolvimento econômico para a região, ao mesmo tempo em que prevê ações destinadas ao acompanhamento e à conservação da biodiversidade local. Com informações: Minuto MS
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