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Nova regra do Pix dobra prazo para contestar devolução em casos de golpe


Prazo passa de 30 para 80 dias para recebedores que tiveram valores devolvidos indevidamente pelo mecanismo de segurança do sistema.
Nova regra do Pix amplia para 80 dias o prazo para contestação de determinadas devoluções relacionadas a fraudes. (Foto: Bruno Peres/Agência Brasil) Por: Editorial | 02/09/2026 09:50

Uma nova regra do Pix amplia de 30 para 80 dias o prazo para contestar uma devolução feita pelo Mecanismo Especial de Devolução (MED) quando houver suspeita de fraude. A mudança entrou em vigor nesta terça-feira (1º) e foi estabelecida pelo Banco Central.

A alteração busca reforçar a proteção de comerciantes, prestadores de serviços e pequenos negócios que podem ser prejudicados por golpes envolvendo o próprio sistema de segurança do Pix.

Pelas novas regras, quem recebeu um Pix de forma legítima, mas teve o dinheiro devolvido posteriormente por meio do MED, passa a ter até 80 dias, contados a partir da data da devolução, para contestar a operação.

Já para quem realizou um Pix e foi vítima de fraude, o prazo permanece em 80 dias a partir da data da transferência para solicitar a abertura do mecanismo.

A mudança está prevista na Instrução Normativa BCB 766, que atualizou o Manual Operacional do Diretório de Identificadores de Contas Transacionais (DICT), relacionado ao funcionamento do Pix.

Proteção contra golpes

A medida também busca combater um tipo de golpe que explora o funcionamento do MED. Em uma das situações possíveis, o criminoso realiza um pagamento para uma loja ou prestador de serviço e posteriormente afirma que a transferência foi feita por engano.

O golpista pode então solicitar que o comerciante devolva o dinheiro por meio de uma nova transferência, inclusive para uma chave Pix diferente. Depois, pode acionar o MED junto ao banco alegando que o pagamento original foi resultado de fraude.

Caso a contestação seja aceita e ainda existam recursos disponíveis, o valor da primeira transação pode ser devolvido. Com isso, o comerciante que fez uma segunda transferência pode acabar tendo prejuízo em duas operações.

Por esse motivo, a orientação é que eventuais devoluções sejam realizadas pela função específica vinculada à própria transação no aplicativo bancário, evitando um novo Pix para uma chave indicada por terceiros.

Quando o MED pode ser utilizado

O Mecanismo Especial de Devolução foi criado para auxiliar na recuperação de valores em situações envolvendo fraude, golpes, crimes ou determinadas falhas operacionais.

O recurso, porém, não pode ser utilizado para qualquer problema relacionado a uma transferência. Arrependimento após uma compra, erro no valor enviado, escolha equivocada da chave Pix ou simples desacordo comercial, sem indícios de fraude, não se enquadram nas situações previstas para o mecanismo.

Ao identificar uma possível fraude, o usuário deve entrar em contato com a instituição financeira o quanto antes para solicitar a abertura do MED. No processo de análise, os bancos verificam a existência de indícios de irregularidade.

Quando a fraude é confirmada, a devolução depende da disponibilidade de recursos nas contas envolvidas. Por isso, o dinheiro pode ser recuperado integralmente ou apenas de forma parcial.

Mudanças no MED

A ampliação do prazo ocorre durante a implementação do chamado MED 2.0, versão aprimorada do mecanismo de devolução do Pix.

O novo modelo passou a permitir o rastreamento do caminho percorrido pelos recursos depois que o dinheiro é transferido para outras contas. A medida amplia a possibilidade de localizar valores que tenham sido movimentados após a transação inicial.

Mesmo assim, a recuperação do dinheiro não é garantida. Caso os recursos tenham sido sacados, transferidos novamente ou não exista saldo disponível, a devolução pode ficar comprometida.

O que fazer após cair em um golpe

Quem identificar uma fraude deve procurar o banco imediatamente, mesmo que ainda esteja dentro do prazo de 80 dias. A comunicação rápida pode aumentar as chances de localizar e bloquear recursos que ainda estejam disponíveis.

Também é importante preservar o comprovante da transferência, conversas e mensagens, anúncios, documentos relacionados à negociação, informações da conta que recebeu o dinheiro e outros registros que possam ajudar a comprovar a ocorrência.

Dependendo da situação, o registro de um boletim de ocorrência também pode auxiliar na investigação. Com informações: Agência Brasil

 

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