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Embrapa entrega 163 medidas ao governo para reduzir riscos climáticos no campo durante El Niño


Recomendações para a safra 2026/2027 incluem monitoramento do clima, seguro rural, diversificação da produção e estratégias de adaptação para diferentes cadeias agropecuárias.
Especialistas da Embrapa e do Inmet elaboraram recomendações para ampliar a prevenção e a gestão de riscos climáticos na agropecuária. (Foto: R. Rufino/Mapa) Por: Editorial | 02/09/2026 13:23

A Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) apresentou ao Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa) um conjunto de 163 medidas voltadas à prevenção e à redução de riscos climáticos na agropecuária. As recomendações consideram os possíveis efeitos do fenômeno El Niño sobre a safra 2026/2027, mas também foram estruturadas para contribuir com uma política permanente de preparação do setor diante de diferentes eventos meteorológicos.

O documento foi elaborado por um grupo de trabalho criado pelo Mapa, com participação de especialistas da Embrapa e do Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet). Cerca de 50 profissionais da empresa de pesquisa contribuíram para a elaboração da nota técnica.

Das 163 recomendações, 14 são aplicáveis de forma geral ao setor agropecuário, enquanto 139 foram direcionadas a segmentos produtivos específicos. Outras dez envolvem ações de apoio e medidas necessárias para a implementação de políticas públicas relacionadas à gestão de riscos.

Entre as orientações estão o acompanhamento de previsões meteorológicas, utilização de dados climáticos locais, adoção do Zoneamento Agrícola de Risco Climático (Zarc), diversificação da produção e utilização de sistemas como a integração lavoura-pecuária (ILP) e a integração lavoura-pecuária-floresta (ILPF).

Também fazem parte das recomendações a elaboração de planos de contingência, manutenção da infraestrutura das propriedades rurais, criação de reservas financeiras, contratação de seguro rural e capacitação de equipes.

Medidas específicas para cada produção

As recomendações foram organizadas a partir dos principais riscos e possíveis impactos sobre diferentes culturas e cadeias produtivas. O material considera estratégias de prevenção, redução de danos, transferência de riscos e gerenciamento das perdas que eventualmente permaneçam.

As medidas também indicam prazos para implementação, classificados entre imediato, curto, médio e longo prazo, além das condições necessárias para que possam ser adotadas pelos produtores.

Entre os temas abordados estão manejo do solo, escolha de cultivares, planejamento das atividades, sistemas de irrigação e drenagem e estruturas de proteção.

O documento contempla setores como produção de grãos e fibras, fruticultura, silvicultura, horticultura, pastagens, pecuária, culturas industriais e aquicultura.

Grupo de trabalho apresenta propostas

O Grupo de Trabalho instituído pelo Mapa deve apresentar nesta quinta-feira (3) um relatório com estratégias de adaptação e mitigação relacionadas ao El Niño. A nota técnica produzida pela Embrapa integra uma das frentes desenvolvidas pelo grupo.

Durante os trabalhos, foram reunidas informações de diferentes órgãos e instituições, incluindo a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe), a Embrapa, o Inmet e áreas técnicas do próprio Ministério da Agricultura.

Entre as propostas está a criação de um plano de comunicação integrado entre as instituições. O Mapa também prepara uma página especial, vídeos e outros materiais para orientar produtores sobre riscos climáticos e medidas de prevenção e adaptação.

Prevenção para além do El Niño

A avaliação dos especialistas é de que as estratégias não devem se limitar ao atual fenômeno climático. A proposta é fortalecer uma cultura permanente de antecipação, monitoramento e preparação para diferentes situações que possam afetar a produção rural.

Nesse contexto, estão incluídos eventos como secas, excesso de chuva, ondas de calor, geadas, tempestades e incêndios. A intenção é ampliar a capacidade de produtores e instituições para antecipar riscos e reduzir possíveis prejuízos.

As medidas também incluem propostas institucionais, financeiras, científicas e tecnológicas, como o aperfeiçoamento do Zarc, ampliação de mecanismos de financiamento para adaptação climática, fortalecimento do seguro rural, expansão da assistência técnica e investimentos em pesquisa e monitoramento agrometeorológico.

Cenários previstos para o El Niño

A nota técnica reúne informações históricas sobre os efeitos do El Niño no Brasil e projeções relacionadas a 2026. Os especialistas ressaltam, entretanto, que os cenários climáticos não permitem determinar antecipadamente quais serão os impactos exatos em cada região, cultura ou sistema produtivo.

Entre as possibilidades avaliadas está uma maior chance de chuvas abaixo da média em áreas do Centro-Norte do país e de precipitações acima da média na Região Sul.

Também são considerados riscos relacionados ao atraso ou à irregularidade do período chuvoso, déficit hídrico prolongado, temperaturas elevadas, chuvas intensas e tempestades severas.

A proposta apresentada pela Embrapa busca, portanto, transformar as informações climáticas em ações práticas de planejamento, permitindo que o setor agropecuário esteja mais preparado para enfrentar os efeitos de eventos climáticos adversos. Com informações: Embrapa

 

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