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Daniel Vorcaro e Alexandre de Moraes estão no centro de questionamentos após divulgação de registros digitais reunidos em relatório da Polícia Federal. (Foto: Reprodução)
Por: Editorial | 03/09/2026 09:00
Mensagens atribuídas ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro e destinadas a um contato identificado como o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), passaram a ser analisadas como parte de uma apuração que colocou sob escrutínio a relação entre os dois. O material está reunido em um relatório de 218 páginas elaborado pela Polícia Federal a partir de dados extraídos do celular de Vorcaro.
O aparelho foi apreendido em novembro de 2025, durante a Operação Compliance Zero. Segundo a PF, a perícia encontrou mensagens, arquivos temporários, capturas de tela, documentos e registros de utilização de aplicativos que ajudaram os investigadores a reconstruir parte das comunicações.
Embora algumas publicações tenham tratado o material como “gravações”, o conteúdo divulgado é predominantemente digital. Não foi identificada, até o momento, uma gravação integral em áudio de uma conversa entre Vorcaro e Moraes.
O relatório veio a público na terça-feira (1º), depois que o ministro André Mendonça determinou o levantamento do sigilo da apuração.
Como os registros foram recuperados
De acordo com a Polícia Federal, Vorcaro utilizava o aplicativo de notas para redigir textos, fazia capturas de tela e posteriormente encaminhava as imagens pelo WhatsApp, inclusive utilizando o recurso de visualização única.
Mesmo com o desaparecimento das mensagens após a abertura, a perícia conseguiu localizar vestígios digitais, arquivos temporários e registros de acesso. Milhares de logs e informações relacionadas ao funcionamento dos aplicativos foram examinados para estabelecer uma possível sequência de envios e destinatários.
A identificação do contato atribuído a Moraes levou em consideração horários, padrões de utilização do aparelho, arquivos recuperados e outros elementos digitais encontrados durante a perícia.
Pergunta sobre deixar o Brasil
Entre os registros está uma mensagem na qual Vorcaro teria perguntado ao contato atribuído ao ministro se deveria deixar o país. A comunicação teria ocorrido dias antes da prisão do ex-controlador do Banco Master.
Outras mensagens mostram manifestações de agradecimento e pedidos para encontros. Na avaliação dos investigadores, o conjunto poderia indicar uma tentativa de Vorcaro de obter informações ou algum tipo de auxílio diante das medidas que envolviam o banco.
O relatório também aponta indícios de pelo menos seis encontros entre Vorcaro e Moraes no período entre novembro de 2024 e agosto de 2025. Algumas dessas reuniões teriam sido mencionadas pelo próprio empresário em conversas com terceiros, enquanto outros registros estariam relacionados à chegada do ministro ou à organização dos encontros.
Os elementos, entretanto, permanecem no campo investigativo. Até o momento, não houve contraditório sobre essas conclusões nem decisão judicial reconhecendo a prática de crime relacionada aos registros.
Contrato milionário com escritório ligado à família do ministro
A apuração também aborda um contrato entre o Banco Master e o escritório Barci de Moraes, comandado pela advogada Viviane Barci de Moraes, esposa do ministro.
O acordo previa pagamentos mensais de aproximadamente R$ 3,6 milhões durante três anos. Caso fosse executado integralmente, o contrato chegaria a cerca de R$ 131,2 milhões.
A análise de metadados de uma versão do documento apontou uma edição realizada por um perfil identificado no sistema Office 365 como “Ministro Alexandre de Moraes”. O escritório confirmou que Moraes teve acesso ao contrato, mas afirmou que a participação dele ocorreu apenas para verificar possíveis impedimentos jurídicos.
A banca também declarou que o acordo não previa atuação em processos no STF e que Moraes não julgou nenhuma ação envolvendo o Banco Master. Segundo o escritório, os serviços contratados foram efetivamente realizados.
Até o momento, não há decisão judicial estabelecendo irregularidade no contrato.
PGR questiona validade da investigação
O procurador-geral da República, Paulo Gonet, pediu a anulação e o arquivamento da apuração envolvendo Moraes. Para a Procuradoria-Geral da República, o ministro André Mendonça não poderia ter determinado, por iniciativa própria, o aprofundamento das investigações sobre outro integrante do Supremo.
A manifestação sustenta que uma eventual investigação de ministro da Corte deve seguir regras específicas de competência e contar com a participação do plenário. Na avaliação de Gonet, tanto a determinação inicial quanto os elementos produzidos posteriormente estariam sujeitos a nulidades.
O questionamento da PGR, contudo, trata da legalidade do procedimento e não representa uma conclusão sobre a autenticidade das mensagens ou sobre eventual crime relacionado ao conteúdo.
Moraes ainda não é investigado formalmente
Alexandre de Moraes não foi formalmente incluído como investigado no caso. Por possuir foro por prerrogativa de função, eventual abertura de investigação contra um ministro do STF depende de autorização da própria Corte.
O presidente do Supremo, Edson Fachin, poderá determinar o arquivamento do caso ou encaminhar a questão para avaliação do plenário. Mendonça, por sua vez, defende que os novos elementos sejam analisados pelos demais integrantes do tribunal.
Até agora, não existe decisão judicial que reconheça a prática de crime por Moraes em razão das mensagens, dos encontros ou do contrato citado no relatório. Também não há acusação formal contra o ministro relacionada ao episódio.
A Ordem dos Advogados do Brasil (OAB) defendeu uma apuração rigorosa e imparcial, com observância das garantias constitucionais e do direito de defesa. O caso segue em análise institucional e ainda poderá ter novos desdobramentos no Supremo. Com informações: Estado Diário
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