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El Niño ganha força e deve atingir intensidade muito forte até o fim de 2026, alerta ONU


Organização Meteorológica Mundial aponta que o fenômeno pode persistir até fevereiro de 2027, com possibilidade de mais calor, secas e chuvas intensas em diferentes regiões.
Imagem de satélite mostra alterações no nível do Oceano Pacífico associadas ao fortalecimento do El Niño. (Foto: Sentinel-6 Michael Freilich/NASA/NOAA) Por: Editorial | 03/09/2026 09:52

O El Niño deve continuar se fortalecendo nos próximos meses e alcançar intensidade muito forte no fim de 2026, segundo uma nova atualização da Organização Meteorológica Mundial (OMM), ligada à Organização das Nações Unidas (ONU). A previsão indica que o fenômeno deve permanecer ativo até pelo menos fevereiro de 2027.

Os modelos climáticos analisados pela organização apontam probabilidade próxima de 100% de manutenção do El Niño entre setembro e novembro deste ano e também no período de dezembro a fevereiro de 2027. A possibilidade de retorno da La Niña ou de condições neutras é considerada praticamente nula nesse intervalo.

O cenário é acompanhado com atenção devido ao rápido aquecimento do Oceano Pacífico Equatorial. Na região conhecida como Niño 3.4, usada pelos cientistas para monitorar o fenômeno, a temperatura da superfície do mar estava cerca de 0,9°C acima da média em maio. Em julho, a diferença chegou a aproximadamente 2°C e, entre o fim daquele mês e meados de agosto, medições semanais registraram anomalias entre 2,2°C e 2,6°C.

O aquecimento também ocorre abaixo da superfície. Segundo a OMM, algumas áreas do Pacífico apresentaram temperaturas superiores a 8°C em relação à média durante julho e o início de agosto.

As projeções indicam que a anomalia média na região Niño 3.4 pode chegar a aproximadamente 3,6°C entre setembro e novembro. Para novembro, isoladamente, alguns modelos apontam até 3,9°C acima da média, embora a estimativa esteja sujeita a incertezas.

A organização prevê que o fortalecimento máximo do fenômeno ocorra entre novembro e dezembro de 2026.

Impactos podem variar entre as regiões

Apesar da previsão de um El Niño intenso, a OMM ressalta que a força do fenômeno não permite determinar, sozinha, quais serão os impactos exatos em cada cidade, estado ou país.

Condições observadas em outros oceanos também podem modificar os efeitos esperados. Entre os fatores acompanhados estão o possível desenvolvimento de uma fase positiva do Dipolo do Oceano Índico e a permanência de águas acima da média no Atlântico Equatorial.

Na América do Sul, os modelos indicam maior probabilidade de temperaturas acima do normal entre a linha do Equador e os 30° de latitude sul. A previsão é menos uniforme nas áreas mais ao sul do continente.

O comportamento das chuvas também deve variar. Para o período de setembro a novembro, há indicação de volumes abaixo da média em áreas do norte e noroeste da América do Sul, enquanto o sudeste do continente apresenta maior possibilidade de precipitações acima do normal.

Esse padrão está relacionado à capacidade do El Niño de alterar a circulação atmosférica e deslocar os corredores de chuva, favorecendo condições mais úmidas em determinadas regiões e mais secas em outras.

Brasil pode ter mais calor e mudanças nas chuvas

Historicamente, os efeitos do El Niño sobre o Brasil não são iguais em todo o território. O Sul costuma registrar aumento das chuvas e maior risco de eventos extremos, enquanto áreas do Norte e de parte do Nordeste podem enfrentar períodos mais secos.

No Sudeste e no Centro-Oeste, a influência pode aparecer principalmente na irregularidade das precipitações. Outra consequência esperada é a ocorrência de períodos prolongados de calor, especialmente durante a primavera e o verão.

A OMM também prevê temperaturas acima da média em grandes áreas continentais do planeta nos próximos meses, com sinais especialmente consistentes em partes da América do Sul, África, Ásia e Austrália.

O El Niño corresponde ao aquecimento anormal das águas do Pacífico Equatorial e integra o fenômeno climático conhecido como ENOS, que também inclui a La Niña e as condições neutras. A alteração das temperaturas do oceano interfere na circulação atmosférica e pode modificar os padrões de chuva e temperatura em diferentes partes do mundo.

Além da variabilidade natural do clima, os efeitos ocorrem em um planeta que já apresenta temperaturas mais elevadas em razão do aquecimento global. Por isso, mesmo eventos que não sejam considerados extremos podem produzir impactos relevantes. Com informações: g1

 

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