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Escavações em Saqqara revelaram uma tumba de aproximadamente 4 mil anos com inscrições, objetos funerários e estruturas associadas aos rituais do Antigo Egito. (Foto: Ministério do Turismo e Antiguidades do Egito)
Por: Editorial | 04/09/2026 16:51
Uma descoberta arqueológica em Saqqara, região próxima ao Cairo, está ajudando pesquisadores a compreender melhor os costumes funerários e a estrutura administrativa do Antigo Egito. Durante escavações na necrópole de Bubasteion, especialistas localizaram uma tumba com cerca de 4 mil anos atribuída a Sekhentio-Ptah, um funcionário de alto escalão ligado à administração real.
Entre os elementos encontrados está uma chamada “porta falsa”, estrutura que não funcionava como uma passagem física, mas possuía importante significado religioso. Para os antigos egípcios, esse tipo de representação simbolizava uma ligação entre o mundo dos vivos e o dos mortos, permitindo, de acordo com suas crenças, a passagem simbólica do espírito do falecido.
As inscrições em hieróglifos encontradas no local também ajudaram os pesquisadores a identificar o proprietário da tumba e reconstruir parte de sua trajetória profissional. Os registros indicam que Sekhentio-Ptah exerceu diferentes funções de destaque, incluindo atividades relacionadas ao palácio real, supervisão de obras, documentos oficiais e acompanhamento de escribas.
O conjunto de títulos associado ao homem também aponta para sua atuação como guardião de informações ligadas aos decretos do rei e sacerdote dedicado à deusa Maat, figura relacionada à ordem, à justiça e ao equilíbrio na sociedade egípcia.
A tumba também apresentou vestígios ligados aos rituais realizados após a morte. Entre os materiais identificados estão uma mesa e uma laje destinadas a oferendas, uma bacia utilizada em cerimônias de purificação e outros recipientes. Restos de uma capela funerária também foram encontrados pelos arqueólogos.
As escavações ampliaram ainda mais a importância do sítio arqueológico com a identificação de um conjunto de poços funerários interligados. No interior da área foram localizados três sarcófagos de pedra que permaneciam intactos, além de uma representação de falcão feita de madeira, vasos de cerâmica e outros objetos antigos.
Os pesquisadores também encontraram sinais de que algumas das estruturas funerárias foram violadas e saqueadas ainda na Antiguidade. As evidências foram identificadas em aberturas presentes nas câmaras mortuárias.
A descoberta oferece novas informações sobre as práticas funerárias e a organização social durante o Antigo Império, período que se estendeu aproximadamente entre 2649 e 2150 a.C. A presença de inscrições e objetos associados a um funcionário de alto nível também pode contribuir para estudos sobre o funcionamento da administração egípcia naquele período.
O trabalho arqueológico continua no local. Os especialistas deverão catalogar, analisar e comparar os materiais encontrados para tentar obter novas informações sobre a tumba, seus ocupantes e os costumes da sociedade que utilizou a necrópole há milhares de anos. Com informações: Metrópoles
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