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Hoje é Domingo, 06 de Setembro de 2026.
(Foto: Lucia Morel)
Por: Editorial | 05/09/2026 09:58
A falta de leitos de UTI pediátrica e de materiais indispensáveis levou à interrupção das cirurgias cardíacas infantis eletivas na Santa Casa de Campo Grande. Diante das condições estruturais e assistenciais, os profissionais que integravam a equipe especializada pediram desligamento, enquanto a médica Aparecida Afif permanece disponível para atender situações de urgência e emergência.
À frente do setor há cerca de três décadas, a cirurgiã afirma que a decisão foi tomada para preservar a segurança das crianças. Segundo ela, não existem atualmente condições adequadas para manter os procedimentos programados sem colocar os pacientes em risco.
Entre os problemas apontados estão a falta de órteses e próteses utilizadas nas operações, enxertos, tubos valvulados, bombas de infusão, fios específicos para sutura e marcapassos. Também haveria dificuldades no abastecimento de medicamentos necessários durante o período pós-operatório.
A médica explica que o problema não se resume aos insumos. A estrutura de terapia intensiva também é considerada insuficiente. A unidade dispõe de seis leitos destinados ao pós-operatório cardíaco pediátrico, que permanecem frequentemente ocupados.
De acordo com Aparecida, a ampliação para dez leitos chegou a ser solicitada em 2006, mas não foi concretizada. A estrutura atual permanece semelhante à existente desde a implantação do serviço, em 1995.
Nesse período, a demanda aumentou significativamente. Segundo a cirurgiã, o número de procedimentos realizados anualmente passou de aproximadamente 50 para 160, enquanto também houve crescimento na complexidade dos casos, impulsionado pela identificação cada vez mais precoce das cardiopatias.
A médica afirma que, desde setembro do ano passado, não são realizadas cirurgias eletivas da especialidade na unidade, porque os atendimentos de urgência e emergência ocupam a capacidade disponível.
A situação também afeta a fila de pacientes que aguardam procedimentos pelo SUS (Sistema Único de Saúde). Conforme Aparecida, a falta de leitos de terapia intensiva é apontada há anos como um dos principais motivos para a demora. Em situações de emergência, recém-nascidos e crianças em estado grave acabam tendo prioridade.
Outro fator que contribuiu para a desestruturação do serviço foi a redução da equipe médica. A profissional relata que, a partir de 2017, quatro dos seis cardiopediatras que atuavam junto ao setor deixaram a unidade, restando apenas dois especialistas.
Segundo Aparecida, os cinco profissionais que ainda compunham a equipe solicitaram desligamento diante da combinação de falta de materiais e perda de integrantes do grupo. Ela ressalta que os atrasos nos pagamentos não seriam, isoladamente, a razão para a interrupção das atividades.
Apesar do cenário, a médica afirma que continuará disponível para os casos que não podem esperar enquanto não houver uma nova equipe ou até que seja definida a continuidade do serviço na unidade.
Aparecida também destaca que a equipe chegou a cumprir, até o ano passado, a meta estabelecida pelo Ministério da Saúde, de dez cirurgias cardíacas pediátricas por mês, equivalente a 120 procedimentos anuais.
Na avaliação da profissional, a solução depende de medidas conjuntas entre a Santa Casa e a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde). Até o momento, hospital e secretaria ainda não haviam apresentado posicionamento sobre a situação. Com informações: Campo Grande News
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