|
Hoje é Quarta-feira, 09 de Setembro de 2026.
Adolescente utiliza dispositivo eletrônico durante atividade de leitura; relatório aponta relação entre aumento do tempo de tela e queda no desempenho escolar (Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil)
Por: Editorial | 08/09/2026 14:53
O desempenho de adolescentes em leitura atingiu o pior nível registrado neste século, segundo a edição de 2025 do Programa Internacional de Avaliação de Alunos (Pisa), divulgado nesta terça-feira (8) pela Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE). O levantamento avaliou cerca de 760 mil estudantes de 15 anos em 91 países e também apontou recuos em matemática e ciências.
A média mundial em leitura caiu de 501 pontos, registrada em 2012, para 466 pontos em 2025. De acordo com a OCDE, o resultado indica que os estudantes avaliados apresentam atualmente uma capacidade de compreensão equivalente àquela que, no passado, era esperada de alunos aproximadamente um ano mais jovens.
O relatório relaciona a piora no desempenho ao aumento do tempo dedicado às telas e à diminuição do hábito de ler por prazer. A análise também identificou sinais de leitura mais rápida e superficial, com estudantes percorrendo textos sem a mesma atenção e apresentando maior dificuldade para interpretar corretamente as informações.
A redução não ficou restrita à leitura. Em ciências, a pontuação média caiu de 506 pontos, maior marca registrada em 2009, para 486. Em matemática, o índice passou de 502 para 469 pontos no mesmo período, colocando as duas áreas também nos níveis mais baixos da série histórica.
Os dados mostram ainda diferenças entre grupos de estudantes. A queda no desempenho em leitura foi mais acentuada entre jovens de famílias com melhores condições socioeconômicas, segundo o levantamento.
O Leste Asiático manteve os melhores resultados da avaliação. Sistemas educacionais de cidades chinesas participantes, além de Japão, Coreia do Sul, Singapura e Taiwan, aparecem entre os destaques nas três áreas analisadas. Reino Unido e Estônia foram os únicos países de fora da região a figurar entre os dez primeiros colocados simultaneamente em leitura, matemática e ciências.
Distração digital
A OCDE não recomendou uma proibição geral de smartphones nas escolas, mas apontou uma relação entre distração causada por dispositivos digitais e desempenho acadêmico. Em 59 dos 82 sistemas educacionais analisados, o uso excessivo de aparelhos esteve associado a resultados mais baixos em ciências.
Mais de um em cada quatro estudantes também afirmou que os dispositivos digitais utilizados pelos colegas acabam prejudicando a concentração durante as aulas de ciências.
Nos países da OCDE, os adolescentes disseram passar, em média, 3,4 horas por dia útil utilizando dispositivos digitais para atividades de lazer. Além disso, dedicam aproximadamente outras três horas diárias ao uso de tecnologia para aprendizagem, dentro e fora da escola.
Segundo a organização, os recursos digitais podem contribuir para o ensino quando utilizados de maneira adequada, mas os resultados começam a apresentar queda quando o tempo de exposição ultrapassa cinco horas por dia.
O estudo também avaliou o uso de inteligência artificial. Quase metade dos estudantes relatou utilizar chatbots regularmente para aprender. Entretanto, aqueles que recorrem às ferramentas para produzir redações, resumir conteúdos ou realizar pesquisas apresentaram, em média, desempenho cerca de 20 pontos inferior em ciências, diferença estimada pela OCDE como equivalente a aproximadamente um ano de aprendizagem. Com informações: Agência Brasil
Divulgue sua marca conosco!
Sua empresa quer mais visibilidade e alcance de público? Entre em contato e anuncie conosco.
WhatsApp: (67) 2102-1069
Leve sua marca mais longe e conquiste novos clientes! 
