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Câmeras de segurança registraram a movimentação dentro da residência antes do assassinato de Gleici e do ataque contra a filha, em Lucas do Rio Verde (Foto: Reprodução)
Por: Editorial | 09/09/2026 14:53
Imagens de câmeras de segurança instaladas dentro de uma residência em Lucas do Rio Verde, Mato Grosso, mostram momentos anteriores ao assassinato de Gleici Keli Geraldo de Souza, de 42 anos, e ao ataque contra a filha dela. O crime ocorreu em 24 de junho de 2025 e voltou a ganhar repercussão após os registros serem divulgados pelo advogado da família.
Segundo informações do processo e da assistência de acusação, Gleici foi atingida por 16 golpes de faca. A filha do casal, que tinha 7 anos na época, também sofreu ferimentos e sobreviveu após permanecer 22 dias internada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
As imagens foram apresentadas pelo advogado Rodrigo Pouso, que atua como assistente de acusação. Na avaliação da família, os registros podem contribuir para esclarecer a sequência dos acontecimentos e reforçar a suspeita de que os ataques teriam sido planejados. A hipótese de premeditação, entretanto, ainda será analisada pela Justiça.
Discussões antes do crime
Nas gravações, Daniel Bennemann Frasson aparece em diferentes momentos dentro da casa, inclusive durante discussões com Gleici. Conforme a versão apresentada pela assistência de acusação, os desentendimentos estavam relacionados principalmente a questões financeiras e patrimoniais.
Em determinado momento, o homem aparece alterado durante uma conversa sobre valores que teria desembolsado. A irmã dele também é vista nas imagens tentando acalmá-lo.
Registros apresentados pela família ainda mostram uma mensagem enviada pela cunhada de Gleici antes do crime. Segundo o advogado, ela teria demonstrado preocupação com o comportamento de Daniel e orientado a vítima a retirar ou esconder as facas da residência.
Ainda conforme a acusação, dois dias antes do assassinato teriam ocorrido ameaças direcionadas a Gleici e à filha. Esses elementos são apontados pela família como sinais de que havia preocupação com a possibilidade de uma agressão antes do episódio.
Movimentação registrada pela câmera
No dia do crime, as câmeras mostram Daniel circulando pela residência antes de entrar na cozinha. Em seguida, ele aparece pegando uma faca e caminhando na direção do quarto onde Gleici e a filha estavam.
De acordo com laudos e informações do processo, Gleici foi atacada enquanto dormia e sofreu 16 golpes. A perícia também apontou ferimentos compatíveis com tentativa de defesa.
Depois da agressão contra a mulher, Daniel aparece novamente nas imagens e segue até onde estava a filha. A criança também foi ferida e, conforme o material divulgado, chegou a pedir ajuda chamando pelo pai.
A irmã de Daniel aparece posteriormente na residência e tenta prestar auxílio à menina.
Criança sobreviveu após internação
A filha de Gleici foi socorrida em estado grave e encaminhada para atendimento médico em Cuiabá. Ela permaneceu 22 dias internada em uma UTI antes de receber alta.
Após o episódio, familiares relataram que a menina continuou em recuperação e ficou com consequências físicas e emocionais relacionadas à violência sofrida.
Daniel também teria provocado ferimentos contra si depois dos ataques. Ele recebeu atendimento médico e posteriormente foi preso. O Ministério Público apresentou denúncia, que foi recebida pela Justiça, e o acusado passou a responder pelo feminicídio da esposa e pela tentativa de homicídio contra a filha.
Laudos apontam inimputabilidade
A condição de saúde mental de Daniel passou a ser um dos pontos discutidos no processo. O primeiro exame realizado pela Perícia Oficial e Identificação Técnica (Politec) apontou inimputabilidade do acusado.
O Ministério Público contestou o resultado e solicitou uma nova avaliação, alegando questionamentos relacionados à metodologia utilizada. Um segundo laudo, concluído em junho de 2026, também apontou inimputabilidade e indicou diagnósticos de esquizofrenia e transtorno bipolar.
O documento deverá ser considerado pela Justiça na definição dos próximos passos do processo e da situação de internação. Atualmente, Daniel está internado em uma clínica psiquiátrica particular em Cuiabá.
O advogado que representa os interesses da família questiona a permanência do acusado na unidade e afirma que os custos do tratamento já teriam ultrapassado R$ 200 mil, pagos pelo Estado. Ao divulgar as imagens, ele também levantou questionamentos sobre o local onde Daniel está internado e sobre a possibilidade de cumprimento de eventual medida em outra unidade.
A inimputabilidade não significa que o fato deixe de existir juridicamente. O conceito está relacionado à capacidade de responsabilização penal da pessoa no momento do crime e pode resultar na aplicação de medida de segurança, como internação ou tratamento psiquiátrico, conforme decisão judicial.
Justiça ainda vai analisar o caso
O processo continua em andamento e a Justiça deverá avaliar o novo laudo psiquiátrico, as imagens, os demais elementos reunidos na investigação e as manifestações das partes.
A família de Gleici considera que as gravações podem ajudar a esclarecer a dinâmica do crime e os acontecimentos que antecederam os ataques. Eventual premeditação e a responsabilidade penal de Daniel, porém, ainda dependem da análise judicial de todo o conjunto de provas. Com informações: FTNBrasil
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