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Ministro Luiz Marinho durante entrevista na Superintendência Regional do Trabalho, em Campo Grande (Foto: Juliano Almeida)
Por: Editorial | 10/09/2026 07:52
O fim da escala 6x1 pode melhorar as condições de trabalho e ampliar o tempo de descanso para trabalhadores do campo, segundo avaliação do ministro do Trabalho e Emprego, Luiz Marinho. A declaração foi dada nesta terça-feira (8), durante agenda em Campo Grande, onde o ministro participou de reuniões com servidores, auditores fiscais e representantes sindicais.
Durante encontro na Superintendência Regional do Trabalho e Emprego de Mato Grosso do Sul, Marinho afirmou que uma eventual mudança na jornada precisa considerar as particularidades de cada setor, inclusive as atividades rurais. Para ele, a discussão deve envolver trabalhadores e empregadores na busca por modelos que atendam às necessidades de cada profissão.
A proposta em debate prevê reduzir a jornada semanal de 44 para 40 horas, sem diminuição dos salários, além de garantir dois dias de descanso por semana. O ministro ressaltou que a medida não impediria o funcionamento das empresas aos sábados ou domingos, já que a organização dos horários poderia ocorrer por diferentes formatos.
Entre as possibilidades estão escalas como a 5x2, com cinco dias de trabalho e dois de folga, e a 12x36, na qual o profissional trabalha por 12 horas e descansa nas 36 seguintes. Na avaliação de Marinho, a definição do modelo mais adequado deve ocorrer por meio de negociação coletiva, levando em conta as características e demandas de cada atividade.
O ministro também rebateu a preocupação de empresários sobre possíveis impactos financeiros provocados pela redução da jornada. Segundo ele, mudanças anteriores nas relações trabalhistas, como a criação do 13º salário, das férias e da licença-maternidade, também enfrentaram resistência inicialmente, mas acabaram incorporadas à legislação.
Marinho defendeu ainda que jornadas mais equilibradas podem contribuir para a saúde e para a produtividade. Ele citou empresas que adotaram a escala 5x2 e, segundo sua avaliação, conseguiram reduzir problemas relacionados à falta de mão de obra e ao absenteísmo.
Outro ponto mencionado pelo ministro foi o aumento dos afastamentos relacionados ao estresse no ambiente profissional. Ele afirmou que mais de 500 mil trabalhadores foram afastados por esse motivo em 2025 e apontou a organização das jornadas como um dos fatores que precisam ser considerados na discussão sobre saúde ocupacional.
Sobre a tramitação da proposta no Congresso Nacional, Marinho demonstrou confiança na aprovação, mas destacou que a mobilização de trabalhadores, sindicatos e da sociedade será importante para pressionar deputados e senadores. Para ele, a participação popular pode acelerar a análise do tema.
A agenda em Mato Grosso do Sul também incluiu a instalação da Mesa do Pacto pelo Trabalho Decente do Meio Rural, na Federação da Agricultura e Pecuária de Mato Grosso do Sul (Famasul). O encontro busca discutir condições de trabalho e medidas voltadas à melhoria das relações trabalhistas no setor rural. Com informações: Caarapó News
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