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Menopausa precoce é associada a maior risco de declínio da memória e Alzheimer mais cedo


Estudo acompanhou mais de 2,6 mil mulheres por até 18 anos e identificou relação entre idade da menopausa, alterações cerebrais e desempenho cognitivo.
Mulher durante a perimenopausa; estudo relaciona idade mais precoce da menopausa a alterações na memória e na saúde cerebral (Foto: Reprodução) Por: Editorial | 10/09/2026 10:03

Mulheres que entram na menopausa mais cedo podem apresentar maior velocidade de declínio da memória e receber diagnóstico de Alzheimer em idade menor. A associação foi identificada em um estudo com mais de 2,6 mil participantes acompanhadas por até 18 anos nos Estados Unidos.

Publicado no JAMA Network Open em agosto, o trabalho utilizou dados de dois estudos de longo prazo que realizaram avaliações periódicas de memória, raciocínio e saúde neurológica. Os pesquisadores analisaram se a idade em que ocorreu a menopausa estava relacionada ao desempenho cognitivo durante o envelhecimento.

Os resultados indicaram que participantes com menopausa antecipada tiveram desempenho inferior ao longo do acompanhamento, principalmente em tarefas relacionadas à memória episódica, responsável pela recordação de acontecimentos e experiências do cotidiano.

A análise também encontrou uma relação com a idade do diagnóstico de Alzheimer. De acordo com os pesquisadores, uma antecipação de dez anos na chegada da menopausa esteve associada, em média, a um diagnóstico da doença quase dois anos mais cedo.

Parte das participantes passou ainda por exames de imagem para avaliar possíveis alterações estruturais no cérebro. Nesse grupo, mulheres que tiveram menopausa mais precoce apresentaram progressão mais rápida de alterações na substância branca, região responsável pela comunicação entre diferentes áreas cerebrais.

Em um período de dez anos, aquelas que entraram na menopausa cinco anos antes apresentaram aproximadamente 15% mais alterações na substância branca do que mulheres com características semelhantes. O efeito foi observado principalmente entre aquelas que passaram pela menopausa de forma natural, e não após procedimentos cirúrgicos.

Relação com os hormônios

Uma das hipóteses analisadas pelos pesquisadores envolve o estrogênio, hormônio cuja produção diminui durante a menopausa. A substância participa de processos relacionados ao funcionamento cerebral, incluindo metabolismo, resposta inflamatória e comunicação entre neurônios.

A redução hormonal pode deixar o cérebro mais suscetível a determinadas alterações associadas ao envelhecimento. Esse mecanismo é considerado uma das possibilidades para explicar parte das diferenças observadas entre mulheres que entram na menopausa em idades distintas.

O Alzheimer é uma doença neurodegenerativa progressiva que compromete a memória e outras funções cognitivas. A perda de memória recente costuma estar entre os primeiros sinais, embora outros sintomas possam surgir com a evolução do quadro.

Apesar dos resultados, os autores ressaltam que o estudo identificou uma associação e não comprova que a menopausa precoce seja responsável diretamente pelo desenvolvimento do Alzheimer ou pelo declínio cognitivo.

Para os pesquisadores, os achados reforçam a importância de acompanhar a saúde cerebral ao longo do envelhecimento e de considerar a história reprodutiva e hormonal na avaliação dos fatores que podem estar relacionados à saúde neurológica. Com informações: Metrópoles

 

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