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Flávio Bolsonaro é investigado pela Polícia Federal em inquérito que apura possíveis irregularidades no financiamento do filme Dark Horse (Foto: Marina Uezima/Agência O Dia/Estadão Conteúdo)
Por: Editorial | 11/09/2026 08:42
O senador e candidato à Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL-RJ) passou a integrar oficialmente a lista de investigados em um inquérito da Polícia Federal que apura possíveis irregularidades relacionadas ao financiamento do filme Dark Horse, produção baseada na trajetória do ex-presidente Jair Bolsonaro.
A investigação foi autorizada em julho pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF), após solicitação da Polícia Federal. A informação sobre a inclusão de Flávio no procedimento veio a público nesta sexta-feira (11), depois do levantamento do sigilo do caso.
Conforme a decisão judicial, a PF apura possíveis crimes como lavagem de dinheiro, evasão de divisas e corrupção, além de outras condutas que possam estar relacionadas à movimentação de recursos destinados à produção cinematográfica. O empresário Daniel Vorcaro, ligado ao extinto Banco Master, aparece no centro da apuração sobre os repasses.
A Procuradoria-Geral da República foi consultada e não apresentou oposição à abertura do inquérito. O ministro André Mendonça também autorizou que a Polícia Federal realizasse diligências que não dependessem de nova autorização judicial.
As suspeitas envolvendo o financiamento de Dark Horse são analisadas em dois procedimentos distintos no Supremo Tribunal Federal.
O inquérito relatado por André Mendonça busca esclarecer os repasses atribuídos a Daniel Vorcaro, incluindo a origem dos valores, o montante movimentado, as circunstâncias das transferências e o destino final dos recursos. É nessa investigação que Flávio Bolsonaro aparece como investigado.
Outro procedimento, sob relatoria do ministro Flávio Dino, apura suspeitas relacionadas ao uso de emendas parlamentares para financiar a produção do filme. A investigação levou à Operação Make Up, deflagrada pela Polícia Federal e pela Controladoria-Geral da União.
A operação cumpriu 49 mandados de busca e apreensão em São Paulo, Rio de Janeiro, Ceará e no Distrito Federal. Entre os alvos estão o deputado federal Mario Frias (PL) e Karina Ferreira da Gama, apontada como responsável pela produtora ligada ao projeto.
A produção de Dark Horse ganhou atenção depois da divulgação de conversas entre Flávio Bolsonaro e Daniel Vorcaro, nas quais o senador teria solicitado recursos para viabilizar o filme sobre seu pai.
Segundo informações apresentadas na investigação, Vorcaro teria destinado cerca de R$ 61 milhões à produção por meio de um fundo nos Estados Unidos. Também teria sido negociado um valor de aproximadamente US$ 24 milhões, equivalente a cerca de R$ 134 milhões na época.
A produtora afirma ter utilizado R$ 75,1 milhões na realização do projeto. Os valores e a destinação dos recursos estão entre os pontos analisados pelos investigadores.
Paralelamente, uma apuração conduzida em São Paulo examina um contrato superior a R$ 150 milhões envolvendo a instalação de pontos de internet em regiões periféricas da capital paulista. O acordo também está sob análise das autoridades devido a suspeitas de execução incompleta e possível desvio de recursos.
A Operação Make Up foi autorizada pelo ministro Flávio Dino e teve como foco suspeitas relacionadas ao uso irregular de emendas parlamentares. Além das buscas, foram determinadas medidas cautelares contra Mario Frias, incluindo a proibição de deixar o país e de manter contato com outros investigados.
As duas frentes de investigação possuem objetos diferentes. Enquanto o procedimento relatado por Mendonça examina os repasses associados a Daniel Vorcaro e o financiamento do filme, a apuração conduzida por Dino concentra-se em possíveis irregularidades envolvendo recursos de emendas parlamentares.
O caso também ocorre em meio a divergências no Supremo relacionadas às investigações envolvendo o Banco Master e à atuação de diferentes órgãos nas apurações.
Até o momento, a inclusão de Flávio Bolsonaro como investigado não significa conclusão sobre eventual responsabilidade criminal. As suspeitas ainda são objeto de investigação pelas autoridades. Com informações: Estadão Conteúdo
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