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Apoio de Vander Lobet a Tereza Cristina provoca reação nos dois lados do espectro político


Apoio do deputado petista à senadora bolsonarista para a Presidência do Senado em 2027 desagrada aliados e adversários e levanta dúvidas sobre estratégia eleitoral.
Por: Editorial | 13/09/2026 13:49

A corrida pela Presidência do Senado em 2027 já começa a produzir efeitos na política de Mato Grosso do Sul. A manifestação do deputado federal Vander Lobet (PT) favorável à senadora Tereza Cristina (PP), ligada ao bolsonarismo, provocou repercussão entre lideranças de diferentes correntes políticas e colocou em debate a estratégia eleitoral do parlamentar.

A aproximação chama atenção justamente pela distância ideológica entre os dois grupos. Enquanto Tereza Cristina mantém uma atuação identificada com o campo conservador e com o agronegócio, Vander integra o Partido dos Trabalhadores, legenda que tem como principal liderança nacional o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Nos bastidores, uma das interpretações é de que o deputado estaria tentando ampliar sua interlocução com setores do agronegócio e com eleitores de perfil mais conservador. Esse eleitorado possui peso significativo nas disputas políticas de Mato Grosso do Sul e pode ser decisivo na composição das próximas eleições.

O movimento, porém, não passou sem críticas. A reação veio tanto de representantes da direita quanto de integrantes do próprio campo progressista.

O deputado estadual Capitão Contar (PL), que também trabalha sua candidatura ao Senado, questionou a possibilidade de o PT conquistar votos do eleitorado conservador por meio de aproximações pontuais. Para ele, a identificação de Vander com o partido e com o governo Lula continua sendo um fator determinante para o posicionamento do eleitor de direita.

Dentro do próprio PT, a vereadora Luiza Ribeiro adotou uma posição diferente. Ela manifestou discordância em relação à possibilidade de apoiar Tereza Cristina ou Davi Alcolumbre para o comando do Senado e defendeu nomes que, na sua avaliação, estejam mais próximos das pautas progressistas e de centro-esquerda.

A divergência revela um problema que pode se tornar maior à medida que a eleição se aproxima: até onde é possível ampliar alianças sem provocar desgaste dentro da própria base política?

Para Vander Lobet, a estratégia representa uma tentativa de dialogar para além do eleitorado tradicional do PT. O risco, entretanto, é que o movimento seja interpretado de maneira negativa pelos dois lados. Parte da esquerda pode enxergar a aproximação como abandono de princípios partidários, enquanto setores da direita podem considerar insuficiente qualquer mudança de postura diante da histórica oposição ao PT.

O episódio também antecipa uma eleição que promete ser marcada por alianças pouco convencionais e por disputas intensas pelo voto de setores estratégicos do eleitorado sul-mato-grossense.

A questão agora é saber se a aproximação com Tereza Cristina será apenas uma articulação política pontual ou se fará parte de uma estratégia mais ampla de Vander Lobet para ampliar seu espaço eleitoral em Mato Grosso do Sul. A resposta deverá aparecer à medida que as candidaturas e alianças para 2027 forem tomando forma. Com informações Estado Diário. @portaldoconesul




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