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Flora, tatu-canastra de 26 quilos, ganha monitoramento especial para ajudar na preservação do Cerrado


Fêmea adulta foi capturada em Três Lagoas e se tornou o décimo animal acompanhado pelo ICAS na região; pesquisa busca entender deslocamentos e áreas essenciais para a espécie.
Flora, uma fêmea adulta de tatu-canastra com cerca de 26 quilos, passou a ser monitorada pelo ICAS após ser capturada no Parque Natural Municipal do Pombo, em Três Lagoas (Foto: Divulgação) Por: Editorial | 14/09/2026 08:39

Uma nova integrante passou a fazer parte de uma importante pesquisa de conservação da fauna em Mato Grosso do Sul. Flora, uma fêmea adulta de tatu-canastra com aproximadamente 26 quilos, foi capturada no Parque Natural Municipal do Pombo, em Três Lagoas, e agora será acompanhada por pesquisadores do Instituto de Conservação de Animais Silvestres (ICAS).

A captura ocorreu no domingo (6) e representa um novo avanço no trabalho desenvolvido na unidade de conservação. Com a chegada de Flora, o projeto alcança dez tatus-canastra monitorados na região desde o início das atividades, em 2022.

Considerado o maior tatu do mundo, o tatu-canastra (Priodontes maximus) possui hábitos predominantemente noturnos e é uma espécie de difícil observação na natureza. O acompanhamento dos animais permite aos pesquisadores reunir informações sobre deslocamentos, áreas utilizadas e a relação da espécie com os diferentes ambientes do Cerrado.

Para acompanhar Flora, os pesquisadores utilizarão um transmissor GPS, que permitirá registrar seus movimentos ao longo do tempo. Os dados poderão ajudar na identificação de áreas estratégicas e de possíveis corredores ecológicos entre o Parque do Pombo e outros remanescentes de vegetação nativa.

O monitoramento é considerado especialmente relevante diante da fragmentação dos habitats naturais. Ao identificar os caminhos percorridos pelos animais, os pesquisadores conseguem compreender melhor quais regiões são importantes para a manutenção da população e quais áreas precisam de atenção para garantir a conectividade entre os fragmentos.

Além dos equipamentos de localização, o projeto mantém 80 armadilhas fotográficas distribuídas pelo Parque Natural Municipal do Pombo. A utilização conjunta das tecnologias possibilita ampliar o levantamento de informações sobre os tatus-canastra e outras espécies que vivem na unidade de conservação.

Durante a captura de Flora, foram realizados procedimentos veterinários e de identificação necessários para sua inclusão no acompanhamento de longo prazo. Participaram da atividade os médicos-veterinários Raquel Bonato e Henrique Rivas, as biólogas Amanda Melo e Millena Castro e a voluntária argentina Juana Lima.

Segundo o ICAS, a ampliação do número de animais monitorados permite comparar diferentes padrões de comportamento e movimentação. A análise conjunta das informações obtidas ao longo dos anos pode contribuir para decisões mais eficientes relacionadas à proteção da espécie.

O Parque Natural Municipal do Pombo possui aproximadamente 8.032 hectares de vegetação nativa e é considerado um importante remanescente de Cerrado na região de Três Lagoas. A área abriga espécies ameaçadas de extinção, entre elas o tatu-canastra, o cachorro-vinagre e o lobo-guará.

A unidade é administrada pela Secretaria Municipal de Meio Ambiente e Agronegócio (SEMEA), que mantém parceria com o ICAS para o desenvolvimento das pesquisas. O trabalho conjunto também possibilita que os resultados científicos sejam utilizados no planejamento e na gestão ambiental do parque.

O tatu-canastra exerce uma função importante no equilíbrio dos ecossistemas. Ao escavar grandes tocas, o animal modifica o ambiente e cria estruturas que podem ser utilizadas como abrigo por diversas outras espécies. Por esse motivo, é considerado um engenheiro do ecossistema.

A espécie também apresenta características que aumentam sua vulnerabilidade diante das alterações ambientais. A reprodução é lenta e geralmente ocorre o nascimento de apenas um filhote por gestação, o que torna a recuperação das populações mais difícil quando há perda ou fragmentação de habitat.

O monitoramento realizado em Três Lagoas faz parte de uma estratégia mais ampla de pesquisa desenvolvida pelo Projeto Tatu-Canastra, que também possui experiência de acompanhamento da espécie em outras regiões e biomas. A comparação entre diferentes ambientes permite ampliar o conhecimento sobre comportamento, ecologia e conservação desses animais.

Com a inclusão de Flora, os pesquisadores passam a contar com mais uma fonte de informações para compreender como a espécie utiliza o Cerrado sul-mato-grossense. A expectativa é que os dados obtidos contribuam para identificar áreas prioritárias e fortalecer medidas de proteção da biodiversidade na região. Com informações: Diário Digital

 

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