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Carne bovina ampliou participação nas exportações de Mato Grosso do Sul e movimentou US$ 1,17 bilhão no primeiro semestre de 2026 (Foto: Divulgação)
Por: Editorial | 14/09/2026 08:50
A carne bovina ampliou sua participação nas exportações de Mato Grosso do Sul e se consolidou como um dos principais destaques do agronegócio estadual no primeiro semestre de 2026. Entre janeiro e junho, as vendas internacionais da proteína alcançaram US$ 1,17 bilhão, resultado 47,9% superior aos US$ 791,8 milhões registrados no mesmo período do ano anterior.
O crescimento também foi observado no volume embarcado. Ao todo, 198,1 mil toneladas de carne bovina foram destinadas ao mercado externo nos primeiros seis meses do ano, aumento de 23,4% em comparação com o primeiro semestre de 2025.
O desempenho fez a proteína se aproximar da celulose, que ocupa a segunda posição entre os principais produtos da pauta de exportações do Estado. A carne bovina passou a representar 20,6% do valor exportado pelo agronegócio sul-mato-grossense, enquanto a celulose respondeu por 25,3%.
No mesmo período, a soja, líder das exportações estaduais, registrou crescimento de 30,5% na receita. Já a celulose apresentou retração de 16,6%, cenário que contribuiu para o aumento da participação relativa da carne bovina na balança comercial de Mato Grosso do Sul.
De janeiro a junho, as exportações do agronegócio sul-mato-grossense movimentaram US$ 5,68 bilhões, crescimento de 12,4% na comparação anual. O setor respondeu por 96,1% de todas as vendas externas realizadas pelo Estado no período.
Para a consultora de Economia do Sistema Famasul, Eliamar Oliveira, o resultado da pecuária está relacionado principalmente ao comportamento da demanda internacional e à competitividade da carne brasileira. Mesmo com uma redução no número de animais abatidos, a receita das exportações avançou de forma significativa.
A China, principal destino da carne bovina produzida em Mato Grosso do Sul, aumentou em 109% o valor das compras durante o primeiro semestre. Os Estados Unidos também ampliaram as aquisições, com crescimento de 41,7% no período.
Outro fator que favoreceu o resultado foi a valorização da proteína no mercado internacional. O preço médio da tonelada de carne bovina exportada pelo Estado aumentou 19,7% no primeiro semestre, enquanto a celulose registrou queda aproximada de 7,8% no mesmo intervalo.
A aproximação entre as duas cadeias, no entanto, não representa uma substituição da celulose pela carne bovina na pauta de exportações. O movimento reflete principalmente as condições distintas enfrentadas por cada setor no mercado internacional, com a proteína beneficiada por um cenário mais favorável e a celulose pressionada pela redução dos preços.
Além da importância para as exportações, a pecuária também contribuiu para o mercado de trabalho sul-mato-grossense. No primeiro semestre, a criação de bovinos registrou saldo positivo de 455 empregos formais. Considerando o conjunto das atividades relacionadas à pecuária, o saldo chegou a 611 novos postos de trabalho no Estado.
Apesar do desempenho expressivo no primeiro semestre, os meses seguintes apresentam novos desafios para o setor. Em julho, a receita obtida por Mato Grosso do Sul com as exportações de carne bovina para a China caiu 46% em relação a junho. No mesmo período, a receita total das vendas externas da proteína pelo Estado recuou 17%.
Entre os fatores que poderão influenciar os resultados até o fim do ano estão as mudanças nas condições de acesso a mercados estratégicos. A aplicação da cota chinesa para importações com tarifa reduzida e novas exigências da União Europeia relacionadas à comprovação do uso de antimicrobianos na produção animal estão entre os pontos de atenção para os produtores e exportadores.
Para especialistas do setor, a manutenção do ritmo de crescimento dependerá da capacidade de Mato Grosso do Sul ampliar a diversificação de mercados, manter a competitividade da produção e acompanhar as exigências dos principais compradores internacionais.
As oscilações do câmbio, os preços praticados no mercado externo e as condições de acesso aos diferentes destinos também deverão influenciar a formação da receita da pecuária ao longo do segundo semestre. Com informações: Diário Digital
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