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Investigação aponta suposta ligação de missionária com integrantes de facção em MT


Polícia Civil investiga uso de atividades religiosas em presídios para manter contato com criminosos e movimentar recursos.
Família investigada fazia parte de grupo autorizado a prestar assistência religiosa em unidades prisionais de Mato Grosso (Foto: Reprodução) Por: Editorial | 14/09/2026 09:30

Uma investigação da Polícia Civil de Mato Grosso aponta uma possível ligação entre uma família de missionários religiosos e integrantes de uma organização criminosa. O caso envolve suspeitas de acesso a unidades prisionais, movimentações financeiras e relacionamentos com pessoas apontadas como integrantes da facção.

Segundo a Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco), uma mulher e os pais, que são pastores, faziam parte de um grupo autorizado pelo Governo de Mato Grosso a prestar assistência religiosa dentro de presídios. A polícia, porém, suspeita que a atividade tenha sido utilizada para facilitar contatos com integrantes do crime organizado.

A investigação reuniu mensagens, fotografias, vídeos e áudios obtidos com autorização judicial. Conforme os investigadores, parte desse material indicaria proximidade da missionária com integrantes da facção, além de registros envolvendo armas, dinheiro, joias e veículos de luxo.

A polícia também apura a possibilidade de que contas bancárias tenham sido utilizadas para movimentar recursos que seriam provenientes de atividades criminosas. Outra linha da investigação envolve o relacionamento da mulher com dois homens apontados pelas autoridades como integrantes de destaque da organização criminosa.

Um deles teria cumprido pena em uma unidade prisional de Cuiabá e, após receber autorização para cumprir a pena em regime semiaberto, teria rompido a tornozeleira eletrônica e fugido para o Rio de Janeiro. Segundo a investigação, a missionária teria mantido contato frequente com ele e conhecimento sobre seu paradeiro.

Mensagens analisadas pelos investigadores também teriam registrado o compartilhamento de localizações e conversas relacionadas a operações policiais. A apuração aponta ainda que a mulher teria viajado ao Rio de Janeiro para encontrar o suspeito.

Outro relacionamento investigado envolve um homem preso há mais de duas décadas por crimes como homicídio, tráfico de drogas e organização criminosa. Segundo o inquérito, ele teria enviado presentes à mulher, incluindo joias e um veículo.

A Polícia Civil também passou a investigar outras mulheres que frequentavam presídios como missionárias. De acordo com a Draco, algumas delas teriam mantido relacionamentos com integrantes do tráfico e apresentado informações consideradas falsas durante depoimentos.

A mulher e os pais foram indiciados por organização criminosa e lavagem de dinheiro. Posteriormente, o Ministério Público apresentou denúncia contra parte dos investigados pelos mesmos crimes.

A Justiça de Mato Grosso proibiu os investigados e outras pessoas citadas no inquérito de participar de atividades de assistência religiosa em unidades prisionais. A Secretaria de Justiça também informou que reforçou a fiscalização para combater o uso irregular de celulares dentro da Penitenciária Central de Cuiabá.

As defesas negam as acusações. A defesa da missionária afirmou que os fatos serão esclarecidos durante o processo, enquanto a defesa da mãe declarou que ela não possui qualquer envolvimento com organização criminosa. Com informações: MídiaNews

 

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