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Segunda etapa da Operação Lívia mira seis adolescentes em investigação sobre morte durante live no Discord


Nova fase da ação cumpre medidas em quatro estados e no Distrito Federal para desarticular rede suspeita de coagir crianças e adolescentes pela internet.
Policiais civis de Mato Grosso do Sul durante diligência da segunda etapa da Operação Lívia. (Foto: Divulgação/PCMS) Por: Editorial | 15/09/2026 07:30

A Polícia Civil de Mato Grosso do Sul deflagrou nesta terça-feira (15) a segunda etapa da Operação Lívia, investigação que apura a atuação de uma rede virtual suspeita de coagir crianças e adolescentes e envolvê-los em práticas violentas e de crueldade contra animais. A apuração ganhou força após a morte de uma adolescente de 13 anos, em Naviraí, durante uma transmissão ao vivo pelo Discord, em julho.

Nesta nova fase, seis adolescentes são alvos de medidas judiciais, incluindo internações e mandados de busca e apreensão. As diligências ocorrem no Rio de Janeiro, São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul e Distrito Federal, com atuação da Polícia Civil de Mato Grosso do Sul e apoio do Ciberlab, Laboratório de Operações Cibernéticas do Ministério da Justiça.

Conforme as investigações, integrantes da rede utilizavam plataformas digitais para se aproximar de menores, estabelecer vínculos e posteriormente exercer pressão psicológica sobre as vítimas. A polícia busca esclarecer o funcionamento do grupo e a participação individual de cada suspeito.

A primeira etapa da Operação Lívia foi realizada em agosto. Na ocasião, um adulto foi preso e cinco adolescentes foram apreendidos. Entre eles estava um jovem de 14 anos apontado pelos investigadores como uma das lideranças da rede.

A análise das interações digitais após a primeira ofensiva permitiu identificar novos suspeitos e reunir informações sobre a atuação do grupo. As autoridades também tentam localizar possíveis outras vítimas e descobrir a extensão da rede no país.

Segundo a investigação, a adolescente de 13 anos de Naviraí teria sido submetida a um processo de controle psicológico e coerção. A delegada Anne Karine, titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), afirmou anteriormente que a menina era tratada dentro do grupo como uma espécie de “escrava virtual”.

Os investigadores apontam que os suspeitos buscavam informações sobre familiares, escola e rotina das vítimas para criar vínculos de confiança. Depois, esses dados poderiam ser utilizados para intimidar e pressionar os menores.

A abordagem começaria em redes sociais abertas, por meio de perfis falsos e técnicas de engenharia social. Posteriormente, as vítimas eram direcionadas para grupos privados, chamados de “panelas”, ambientes controlados pelos próprios integrantes.

Dentro desses grupos, determinadas ações eram classificadas como “eventos”. A investigação aponta ainda para uma espécie de disputa entre os grupos, na qual o chamado “hype” representaria o prestígio conquistado dentro da rede.

A DEPCA passou a investigar o caso após ser acionada pelo Ciberlab em 22 de julho, depois da repercussão da morte da adolescente nas redes sociais. Para os investigadores, existem elementos que precisam ser analisados além da hipótese inicial de suicídio, diante de possíveis indícios de indução e coerção.

O caso também resultou em medidas envolvendo o Discord. Desde 12 de agosto, as transmissões ao vivo pela plataforma estão suspensas no Brasil por determinação da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD).

Com a segunda etapa da Operação Lívia, a Polícia Civil amplia a investigação e busca identificar outros envolvidos, esclarecer a responsabilidade de cada investigado e verificar se mais crianças e adolescentes foram submetidos à atuação da rede. Com informações: Campo Grande News/ PCMS

 

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