| Hoje é Terça-feira, 29 de Setembro de 2026.

“Melhor amiga” virtual teria repassado segredos de adolescente de Naviraí a grupo investigado pela morte da menina


Adolescente de 14 anos teria conquistado a confiança de Lívia pelas redes sociais e levado a vítima para grupos fechados no Discord
Equipamentos eletrônicos foram apreendidos durante as investigações da Operação Lívia (Foto: PCMS/Divulgação). Por: Editorial | 17/09/2026 07:36

Uma adolescente de 14 anos teria se apresentado como “melhor amiga” virtual de Lívia, de 13 anos, para conquistar a confiança da menina e obter informações pessoais. Segundo a Polícia Civil, os dados repassados ao grupo investigado no caso teriam sido utilizados para aumentar a pressão e o controle sobre a vítima, que morreu no dia 22 de julho.

As duas não se conheciam pessoalmente. A aproximação começou por redes sociais como TikTok e Instagram e, posteriormente, a investigada teria convencido Lívia a participar de grupos fechados no Discord.

As informações foram divulgadas após a segunda fase da Operação Lívia, realizada em 15 de setembro. A adolescente apontada como responsável pela aproximação está entre os seis jovens apreendidos na nova etapa da investigação.

Segundo a delegada Anne Karine Sanches Trevizan, titular da Delegacia Especializada de Proteção à Criança e ao Adolescente (DEPCA), a jovem teria exercido papel de influência sobre Lívia durante o período em que a menina esteve nos grupos virtuais. A investigada também mantinha relacionamento pela internet com outro adolescente apontado como integrante da liderança do grupo, apreendido em Macaé (RJ).

De acordo com a investigação, os participantes desempenhavam funções diferentes. Alguns buscavam contato com possíveis vítimas, enquanto outros organizavam transmissões e exerciam pressão sobre os integrantes abordados.

A Polícia Civil afirma que os adolescentes apreendidos tiveram participação nos fatos investigados. Por serem menores de 18 anos, eles respondem por atos infracionais análogos aos crimes apontados no inquérito, conforme a legislação aplicável.

Na primeira fase da operação, realizada em 4 de agosto, cinco adolescentes foram apreendidos e um jovem de 18 anos foi preso em ações realizadas em Mato Grosso do Sul, Ceará, Minas Gerais, Pará e Rio de Janeiro. Entre os apreendidos estava um adolescente de 14 anos, morador de Aquidauana, apontado como líder de uma das chamadas “panelas”, nome utilizado pelos investigados para identificar os grupos virtuais.

Celulares, computadores e outros equipamentos recolhidos na primeira etapa passaram por análise e contribuíram para a identificação dos novos alvos. Na segunda fase, foram cumpridas medidas contra adolescentes localizados em São Paulo, Bahia, Rio Grande do Sul, Rio de Janeiro e Distrito Federal.

Os investigadores ainda trabalham para definir a função de cada integrante e verificar a existência de outras possíveis vítimas.

A investigação descreve o método utilizado pelo grupo como uma forma de “escravidão digital”, baseada na aproximação de crianças e adolescentes, manipulação psicológica, obtenção de informações pessoais e posterior pressão para que cumprissem determinadas ordens.

Para estabelecer os contatos, os investigados utilizariam perfis falsos e informações fictícias, incluindo idade, fotografias e gênero. A estratégia, segundo a polícia, seria criar uma identificação com as vítimas antes de levá-las para ambientes virtuais restritos.

No caso de Lívia, a Polícia Civil afirma que o período de maior pressão ocorreu durante aproximadamente duas horas. Parte dos integrantes teria acompanhado a transmissão em tempo real.

A apuração também encontrou indícios envolvendo outras possíveis vítimas. Uma adolescente de 17 anos teria sido incentivada a se ferir durante a mesma transmissão, enquanto uma criança de 7 anos também está entre os casos analisados. A estimativa policial é de que até 10 pessoas possam ter sido submetidas à atuação do grupo, mas o número ainda não foi confirmado.

O caso também levou a medidas envolvendo o Discord. Em agosto, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou a suspensão das transmissões ao vivo e do compartilhamento de vídeos na plataforma no Brasil. A empresa recorreu, mas a decisão foi mantida.

 

Divulgue sua marca conosco!
Sua empresa quer mais visibilidade e alcance de público? Entre em contato e anuncie conosco.

WhatsApp: (67) 2102-1069

Leve sua marca mais longe e conquiste novos clientes!




Diário do Interior MS
NAVIRAÍ MS
CNPJ: 30.035.215/0001-09
E-MAIL: diariodointeriorms1@gmail.com
Siga-nos nas redes Sociais: