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Aumento da concentração de etanol na gasolina pode afetar principalmente veículos antigos projetados para utilizar apenas gasolina. (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Por: Editorial | 21/09/2026 09:04
A gasolina brasileira pode passar por uma nova mudança na composição. O governo autorizou testes para elevar de 32% para 35% a proporção de etanol misturada ao combustível. Antes de chegar aos postos, porém, a nova fórmula ainda precisa cumprir etapas de avaliação.
A possibilidade de aumento já provoca dúvidas entre motoristas sobre os efeitos que a mistura poderá causar nos veículos, especialmente nos modelos mais antigos que foram projetados para funcionar apenas com gasolina.
Segundo especialistas em mecânica, o aumento da concentração de etanol pode deixar mais evidentes problemas relacionados ao consumo, desempenho e desgaste de determinados componentes. Os efeitos tendem a ser mais relevantes em veículos antigos, principalmente aqueles equipados com carburador e tanque metálico.
Uma das consequências apontadas é a redução da autonomia. Como o etanol possui menor poder energético que a gasolina, motores desenvolvidos exclusivamente para o combustível fóssil podem precisar trabalhar com uma quantidade maior de combustível para alcançar o mesmo desempenho.
Carburador
É um dos componentes que mais preocupam os especialistas nos veículos antigos. Como o sistema de alimentação desses modelos não possui a mesma capacidade de adaptação dos sistemas eletrônicos modernos, a alteração na composição do combustível pode provocar falhas de funcionamento e dificuldades na regulagem.
O contato frequente com o etanol também pode favorecer processos de corrosão em componentes que não foram projetados para suportar concentrações maiores do combustível.
Tanque de combustível
O impacto tende a ser maior em veículos antigos que utilizam tanques metálicos. A presença de etanol e umidade pode contribuir para processos de corrosão ao longo do tempo.
Nos carros mais recentes, os tanques de plástico são predominantes e apresentam menor preocupação nesse aspecto.
Bomba de combustível
A presença de água no combustível e a absorção de umidade, principalmente quando o carro permanece muito tempo parado, podem acelerar a corrosão de componentes do sistema de alimentação.
A deterioração também pode atingir a boia responsável pela indicação do nível de combustível.
Bicos injetores
Nos veículos com injeção eletrônica, o sistema consegue fazer ajustes para compensar alterações na mistura. Mesmo assim, bicos que já estejam sujos ou desgastados podem apresentar problemas mais perceptíveis.
Entre os sinais estão falhas no funcionamento do motor e marcha lenta irregular.
Velas de ignição
Velas já desgastadas podem contribuir para dificuldades na queima da mistura. Nesse cenário, o motor pode apresentar falhas e funcionamento irregular.
Em veículos com manutenção em dia, entretanto, os especialistas apontam que o problema tende a estar mais relacionado ao estado do componente do que simplesmente à nova proporção de etanol.
Catalisador
Quando ocorre uma queima inadequada do combustível, parte da mistura pode chegar ao sistema de escapamento sem ser completamente queimada. Com isso, o catalisador pode trabalhar em condições desfavoráveis e ter sua vida útil reduzida.
Mangueiras e componentes de vedação
Em veículos antigos, mangueiras, retentores e outras peças de vedação também podem sofrer desgaste mais acelerado quando expostos continuamente a combustíveis com maior concentração de etanol.
Os especialistas ouvidos na reportagem indicam que os veículos mais modernos possuem sistemas eletrônicos capazes de compensar parte das alterações na mistura. Isso reduz os riscos em comparação com carros antigos.
Ainda assim, veículos que já apresentam problemas de manutenção, como bicos sujos, velas desgastadas ou componentes deteriorados, podem ter falhas mais evidentes.
Nos carros mais antigos, uma eventual adaptação pode ser mais complicada. No caso de motores carburados, por exemplo, seria necessário alterar a calibração do sistema para adequá-lo à nova composição do combustível, com ajustes que precisam ser feitos de forma individual.
Por enquanto, a gasolina com 35% de etanol ainda não está disponível de forma geral nos postos. A mudança depende da conclusão dos testes e das demais etapas necessárias para a adoção da nova mistura.
Para o motorista, a principal recomendação é manter o veículo com a manutenção em dia e ficar atento a sinais como aumento repentino do consumo, perda de potência, dificuldade na partida e funcionamento irregular do motor. Com informações: Agência Brasil
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