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Análise genética revelou uma nova espécie entre populações anteriormente classificadas como pinguins-gentoo (Foto: Holger Leue/Getty Images).
Por: Editorial | 22/09/2026 14:53
Uma análise genética mudou o que os cientistas conheciam sobre os pinguins-gentoo e levou à identificação de uma nova espécie, a Pygoscelis kerguelensis. O achado ocorre após mais de um século sem o reconhecimento formal de uma nova espécie de pinguim.
A descoberta foi resultado de um estudo conduzido por pesquisadores da Universidade da Califórnia em Berkeley, nos Estados Unidos, e da Universidade do Chile. O trabalho foi publicado na revista científica Communications Biology e revisitou uma classificação que há décadas provocava debates entre especialistas.
Até então, os pinguins-gentoo (Pygoscelis papua) eram considerados um grupo formado por até seis subespécies. A investigação genômica, porém, indicou que essas populações apresentam diferenças suficientes para serem classificadas em quatro espécies distintas.
Para chegar ao resultado, os pesquisadores analisaram o genoma completo de 64 pinguins provenientes de 10 colônias reprodutivas. As amostras contemplaram praticamente toda a área de distribuição conhecida do grupo, incluindo regiões da Península Antártica e ilhas subantárticas do Hemisfério Sul.
Além do material genético, os cientistas avaliaram características físicas e comportamentais das aves. Foram observados aspectos como coloração, tamanho corporal, vocalizações, períodos de reprodução, alimentação e hábitos relacionados à busca por alimento.
A Pygoscelis kerguelensis apresenta diferenças discretas em relação a outros pinguins-gentoo, especialmente no tamanho do corpo e nas vocalizações. Visualmente, a coloração é semelhante à de outras espécies do grupo. A principal distinção identificada pelos pesquisadores, entretanto, está no conjunto de características genéticas.
O estudo também concluiu que outras três populações anteriormente tratadas como subespécies possuem diferenças genéticas que justificam sua classificação como espécies distintas.
A revisão é considerada relevante para a compreensão da evolução e da diversidade dos pinguins, especialmente porque a classificação dos gentoo é alvo de discussões científicas há mais de 100 anos.
Segundo Rauri Bowie, um dos coautores do trabalho, a taxonomia do pinguim-gentoo está entre as mais debatidas dentro do grupo. A equipe utilizou diferentes linhas de evidência para tentar esclarecer a relação entre as populações e estabelecer uma classificação baseada em dados genéticos, físicos e comportamentais.
A identificação da nova espécie mostra como avanços nas técnicas de análise genômica podem revelar diferenças entre populações que, durante décadas, foram consideradas parte de um mesmo grupo. Com informações: Metrópoles
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