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Ministério da Fazenda atualizou as projeções para crescimento econômico e inflação em 2026 e 2027 (Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil).
Por: Editorial | 22/09/2026 15:44
O Ministério da Fazenda revisou para baixo as projeções para o crescimento da economia brasileira em 2026 e 2027. Segundo o novo Boletim Macrofiscal da Secretaria de Política Econômica (SPE), divulgado nesta terça-feira (22), a estimativa para o Produto Interno Bruto (PIB) deste ano passou de 2,3% para 2%. Para 2027, a previsão caiu de 2,5% para 2,3%.
De acordo com a SPE, a revisão está relacionada principalmente aos efeitos da política monetária ainda restritiva sobre a atividade econômica. Os impactos são considerados mais fortes nos setores de serviços e indústria, além da expectativa de que o processo de flexibilização dos juros ocorra em ritmo um pouco mais lento do que o estimado anteriormente.
Apesar da redução na previsão de crescimento, o governo melhorou a estimativa para a inflação em 2026. A projeção para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) caiu de 5,1% para 4,9%.
Mesmo com a revisão, o índice projetado permanece acima do teto da meta de inflação, estabelecido em 4,5%. A meta contínua é de 3%, com margem de tolerância de 1,5 ponto percentual para cima ou para baixo.
A nova estimativa considera os resultados do IPCA registrados até julho, que ficaram parcialmente abaixo das expectativas anteriores, principalmente nos preços dos alimentos consumidos nos domicílios e, em menor intensidade, nos serviços. A melhora das expectativas de inflação e a manutenção da Selic em nível considerado contracionista também foram incorporadas ao cenário.
Entre os setores da economia, a maior revisão negativa ocorreu nos serviços, cuja previsão de crescimento passou de 2,4% para 1,8%. Na indústria, a estimativa caiu de 2,1% para 1,7%. Já a agropecuária teve a projeção elevada de 1,8% para 2,8%.
O desempenho esperado para o setor agropecuário, entretanto, compensa apenas parcialmente as reduções previstas para serviços e indústria.
No setor de serviços, a Fazenda aponta como fatores para a revisão o desempenho mais fraco registrado no primeiro semestre e os efeitos defasados da política monetária sobre o consumo e a demanda doméstica.
O relatório também chama atenção para o comprometimento da renda das famílias com o pagamento de dívidas. Segundo a SPE, embora o nível de endividamento permaneça estável em relação à renda, o comprometimento com o serviço da dívida atingiu o maior patamar da série histórica no segundo trimestre, restringindo o espaço para expansão do consumo.
Para o próximo ano, a Fazenda reduziu a previsão de crescimento do PIB de 2,5% para 2,3% e elevou a estimativa de inflação de 3,6% para 3,8%.
Entre os fatores considerados para a revisão está a possibilidade de ocorrência de um El Niño mais intenso. O fenômeno climático pode afetar a produção agrícola e pressionar inicialmente os preços de grãos, com possíveis impactos posteriores sobre outros alimentos, incluindo carnes.
A política monetária também aparece entre os elementos considerados no cenário. Conforme a SPE, uma eventual redução da Selic tende a produzir efeitos graduais sobre as condições de crédito, o consumo e os investimentos.
A expectativa do governo é que a diminuição do custo do crédito beneficie setores mais sensíveis ao ciclo econômico, como indústria de transformação, construção civil e segmentos de serviços.
O Boletim Macrofiscal aponta ainda uma série de fatores que podem alterar as projeções ao longo dos próximos meses. Entre eles estão o comportamento dos preços do petróleo, as condições de crédito para famílias e empresas, a evolução da demanda interna, o desempenho das exportações e da indústria extrativa e os impactos climáticos sobre a produção de alimentos.
O documento também considera que conflitos internacionais podem aumentar a volatilidade dos preços de energia e provocar efeitos sobre diferentes cadeias produtivas.
As novas estimativas servirão de referência para a atualização dos parâmetros utilizados pelo governo no planejamento das contas públicas. Os números também serão considerados no Relatório Bimestral de Avaliação de Receitas e Despesas, previsto para ser divulgado na quinta-feira (24) pelos ministérios da Fazenda e do Planejamento.
O Boletim Macrofiscal reúne projeções para indicadores como PIB, IPCA e INPC e é utilizado como base para estimativas de receitas, despesas e outros componentes do planejamento fiscal da União. Com informações: Agência Brasil
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