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Treinar todos os dias faz bem? Especialistas explicam quando o corpo precisa de descanso


Mais do que mudar a aparência, musculação ajuda a preservar força e autonomia, mas excesso de esforço sem recuperação pode prejudicar o desempenho.
Musculação pode ajudar a preservar força, mobilidade e autonomia em diferentes fases da vida (Foto: IA) Por: Editorial | 28/09/2026 08:38

Manter uma rotina de exercícios pode trazer benefícios que vão muito além da estética. Para quem pratica musculação, ganhar força significa também ter mais facilidade para subir escadas, carregar compras, levantar da cadeira e preservar a independência ao longo do envelhecimento. O desafio está em encontrar uma rotina que estimule o corpo sem ultrapassar seus limites.

Aos 73 anos, a aposentada Sirlei Machado encontrou na academia uma forma de cuidar da musculatura e preservar a autonomia. Uma das conquistas recentes foi conseguir realizar agachamentos com mais segurança. Ela começou com caminhadas, mas mudou de estratégia após receber orientação médica para evitar exposição ao sol durante o tratamento de um melanoma.

Depois de alguns meses fazendo musculação por conta própria, Sirlei passou a contar com acompanhamento profissional. Há seis meses, uma personal trainer adapta os exercícios às limitações causadas por uma dor no quadril.

A preocupação principal não é apenas conseguir realizar movimentos atualmente, mas preservar essa capacidade no futuro. Com o envelhecimento, a perda progressiva de massa e força muscular pode levar à sarcopenia, condição que interfere na mobilidade e na realização de atividades cotidianas.

Entre os mais jovens, a motivação pode ser diferente. A esteticista Marisa Folhes, por exemplo, pratica musculação diariamente há dois anos e busca mudanças na composição corporal, mas também pensa em chegar à velhice com boa mobilidade.

Ela admite, porém, que algumas vezes exagera na rotina de exercícios por cobrança relacionada à própria aparência. Isso não significa necessariamente que exista síndrome de overtraining, mas o relato mostra como a busca por resultados pode levar algumas pessoas a ultrapassar os limites recomendados.

O chamado overtraining está relacionado a um desequilíbrio persistente entre esforço e recuperação. Entre os sinais possíveis estão queda prolongada no rendimento, fadiga e alterações de humor. Sentir cansaço depois de um treino, por si só, não significa que a pessoa tenha desenvolvido a síndrome, que precisa de avaliação adequada e da exclusão de outras causas.

O geriatra Marcos Blini destaca que os exercícios de força são importantes em diferentes fases da vida. Segundo ele, construir uma reserva de massa muscular pode ser especialmente relevante diante de períodos de doença, internação ou redução da mobilidade.

A atividade física, entretanto, precisa ser adaptada às condições de cada pessoa. Intensidade, frequência e volume dos exercícios devem considerar idade, histórico de saúde, nível de condicionamento, objetivos e eventuais limitações.

A personal trainer Giovanna Nantes ressalta que aparência e força não são necessariamente proporcionais. Uma pessoa pode apresentar músculos desenvolvidos e ainda ter dificuldade em determinados movimentos, enquanto outra, mesmo com perda significativa de massa muscular, pode manter determinadas capacidades funcionais.

Por isso, avaliações físicas não devem considerar apenas medidas corporais. A observação da força, dos movimentos e das limitações individuais também ajuda a definir um programa de treinamento mais adequado.

Outro ponto de atenção está no emagrecimento. Segundo Giovanna, alguns alunos chegam à academia após perder peso sem acompanhamento adequado e apresentam redução tanto de gordura quanto de massa muscular, com consequências como queda de força, cansaço e menor disposição para atividades diárias.

A perda muscular também pode ocorrer em pessoas que estão acima do peso. O quadro conhecido como obesidade sarcopênica combina excesso de gordura corporal com redução de massa e força muscular, reforçando a importância de associar alimentação adequada e exercícios.

Assim, treinar diariamente não é necessariamente um problema, desde que a rotina seja planejada e permita recuperação suficiente. O descanso faz parte do processo de adaptação do organismo e pode ser tão importante quanto o próprio exercício.

Para Sirlei, a prioridade é continuar evoluindo dentro das próprias possibilidades. Com orientação profissional e respeito às limitações do corpo, ela mantém a musculação como uma estratégia para preservar a força e continuar realizando, de forma independente, os movimentos que fazem parte da vida cotidiana. Com informações: Campo Grande News

 

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