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Apostas esportivas online podem provocar prejuízos financeiros e impactos na saúde emocional de pessoas que desenvolvem comportamento compulsivo (Foto: Joédson Alves/Agência Brasil)
Por: Editorial | 30/09/2026 13:45
A vergonha e o medo de julgamento têm dificultado a busca por tratamento entre pessoas que desenvolvem dependência em apostas esportivas online. Em Campo Grande, profissionais de saúde relatam que muitos pacientes chegam aos serviços especializados por causa das consequências provocadas pelas bets, sem revelar inicialmente que o jogo está por trás dos problemas.
No CAPS Aero Rancho, pelo menos uma pessoa por mês procura atendimento apresentando questões relacionadas ao vício em apostas, conforme a percepção do diretor técnico da unidade, o psiquiatra Fernando de Freitas Monteiro. O número, entretanto, pode não representar a dimensão real do problema, já que muitos casos permanecem ocultos durante as primeiras consultas.
Segundo o especialista, é comum que o paciente procure ajuda por sintomas como ansiedade, depressão, crises emocionais, dívidas ou conflitos familiares. O comportamento relacionado às apostas aparece somente depois, durante a avaliação clínica.
A dificuldade em admitir o problema também está ligada ao preconceito. Algumas pessoas enxergam a dependência como falta de disciplina ou de força de vontade, o que pode fazer com que o apostador esconda as perdas e adie a procura por atendimento.
O transtorno do jogo pode provocar impactos que vão além da situação financeira. Conforme o comportamento compulsivo se intensifica, as apostas passam a ocupar cada vez mais espaço na rotina, afetando relações familiares, trabalho e saúde emocional. Ansiedade, insônia, sentimentos de culpa e isolamento podem aparecer entre as consequências.
Outro fator que mantém o ciclo é a tentativa de recuperar o dinheiro perdido. Depois de uma sequência de prejuízos, o apostador pode acreditar que uma nova aposta será suficiente para recuperar os valores anteriores. Quando isso não acontece, novas apostas podem aumentar ainda mais as perdas.
Homens jovens estão entre os grupos que aparecem com maior frequência nos atendimentos relacionados ao problema. Pessoas que enfrentam situações como desemprego, separação, luto ou dificuldades financeiras também podem estar mais vulneráveis, especialmente quando encontram nas apostas uma promessa de dinheiro rápido.
Apesar dos obstáculos, existe tratamento gratuito pelo Sistema Único de Saúde (SUS). O acompanhamento começa com acolhimento e avaliação individual para identificar as necessidades de cada paciente. Dependendo do caso, o atendimento pode ocorrer em CAPS, ambulatórios de saúde mental ou pela atenção básica.
A psicoterapia é uma das principais ferramentas utilizadas no tratamento, ajudando o paciente a reconhecer os gatilhos associados ao comportamento compulsivo e desenvolver estratégias para controlar os impulsos. Medicamentos podem ser indicados em situações específicas, principalmente quando existem outros quadros associados, como ansiedade ou depressão.
Para os profissionais, um dos primeiros objetivos é interromper o ciclo das apostas antes que as perdas aumentem ainda mais. A partir disso, o paciente pode começar a reorganizar a vida financeira, familiar e profissional.
A orientação é não esperar que as dívidas ou os conflitos cheguem a um ponto extremo para buscar ajuda. Reconhecer o problema e procurar atendimento são passos importantes para iniciar o tratamento e reduzir os impactos provocados pela dependência. Com informações: Agência Brasil
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