| Hoje é Terça-feira, 06 de Outubro de 2026.

Bolsa dispara e dólar recua após vantagem de Flávio Bolsonaro sobre Lula no primeiro turno


Ibovespa avançou 7,70% e fechou acima dos 206 mil pontos, enquanto moeda norte-americana caiu 4,12%; investidores reavaliaram expectativas para o segundo turno presidencial.
Ibovespa superou pela primeira vez os 200 mil pontos após o mercado financeiro reagir ao resultado do primeiro turno da eleição presidencial. (Foto: Divulgação/B3) Por: Editorial | 06/10/2026 09:45

O resultado do primeiro turno da eleição presidencial provocou uma forte reação no mercado financeiro brasileiro. Um dia após Flávio Bolsonaro (PL) terminar a votação à frente do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), o Ibovespa disparou 7,70%, alcançou patamar histórico e encerrou o pregão desta segunda-feira (5) aos 206.911,89 pontos.

Durante as negociações, o principal índice da Bolsa brasileira chegou a 209.605 pontos, superando pela primeira vez a marca dos 200 mil pontos. O movimento foi acompanhado por forte valorização de diversas ações, principalmente de empresas ligadas aos setores financeiro, de consumo e de serviços.

No câmbio, a reação ocorreu no sentido contrário. O dólar comercial caiu 4,12% e encerrou o dia cotado próximo de R$ 5,00. Durante a sessão, a moeda norte-americana chegou a R$ 4,953, no menor patamar registrado no pregão. A queda foi a mais intensa em uma sessão em cerca de oito anos.

A movimentação dos investidores ocorreu após o resultado das urnas alterar as expectativas para o segundo turno. Flávio Bolsonaro terminou a primeira etapa da disputa presidencial com 47,03% dos votos válidos, enquanto Lula recebeu 45,16%. A diferença entre os dois foi de 1,87 ponto percentual.

Segundo analistas do mercado, o desempenho do candidato do PL, superior ao indicado por parte das pesquisas divulgadas antes da votação, aumentou entre investidores a percepção sobre a possibilidade de alternância de poder a partir de 2027. O mercado também passou a avaliar eventuais mudanças na condução da política fiscal e das contas públicas.

A expectativa de uma política fiscal considerada mais restritiva por parte dos agentes financeiros contribuiu ainda para a redução das taxas de juros futuros. Quando as projeções de juros diminuem, ações podem se tornar relativamente mais atraentes, ao mesmo tempo em que empresas passam a enfrentar perspectivas de custos financeiros menores.

Outro reflexo foi observado na procura por ativos brasileiros. A percepção de menor risco fiscal pode estimular a entrada de capital estrangeiro no país. Com maior oferta de moeda norte-americana no mercado doméstico, a tendência é de pressão para baixo sobre a cotação do dólar.

Entre as ações de maior destaque estiveram papéis ligados ao mercado financeiro. B3 avançou 22,63%, BTG Pactual ganhou 22,52%, enquanto outras instituições bancárias também registraram valorização expressiva. O movimento, porém, não atingiu todas as companhias, e algumas empresas exportadoras encerraram a sessão em queda.

Apesar da reação positiva dos mercados, o comportamento dos ativos permanece condicionado às expectativas para o segundo turno e às propostas econômicas apresentadas pelos candidatos. Analistas destacam que eventuais mudanças fiscais e econômicas também dependerão da composição do Congresso e da capacidade de articulação política do próximo governo.

O segundo turno da eleição presidencial está marcado para 25 de outubro, quando Flávio Bolsonaro e Lula voltarão a disputar os votos dos brasileiros. Até lá, o mercado deverá acompanhar de perto as sinalizações econômicas das duas campanhas e seus possíveis impactos sobre gastos públicos, dívida, juros e atividade econômica. Com informações: B3

 

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