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Polícia Civil de Naviraí concluiu investigação sobre esquema de extorsão conhecido como golpe da falsa acompanhante; cinco pessoas foram indiciadas e denunciadas pelo Ministério Público. (Foto: Ilustração)
Por: Editorial | 06/10/2026 16:10
Uma investigação da Polícia Civil de Naviraí revelou um esquema de extorsão que utilizava falsos anúncios de acompanhantes na internet para atrair vítimas e, posteriormente, exigir dinheiro mediante ameaças. Cinco pessoas foram indiciadas e, após a conclusão do inquérito, denunciadas pelo Ministério Público Estadual.
O trabalho foi conduzido pela Seção de Investigações Gerais da Delegacia Regional de Polícia de Naviraí (SIG/DRP/Naviraí) e começou depois que uma vítima procurou a delegacia relatando ter encontrado na internet o anúncio de uma suposta acompanhante.
Após iniciar uma conversa pelo WhatsApp, a vítima recebeu a solicitação de pagamento de R$ 300 via PIX. A mulher anunciada, entretanto, não foi encontrada no endereço informado e o encontro não ocorreu.
Na sequência, mensagens passaram a ser enviadas por outro número. Segundo o relato apresentado à Polícia Civil, o interlocutor afirmava integrar um “comando”, dizia possuir dados pessoais da vítima e fazia ameaças contra ela e familiares, exigindo novos pagamentos.
Com receio das ameaças, a vítima transferiu mais R$ 70, mas as cobranças continuaram. Diante da situação, procurou a Polícia Civil e registrou a ocorrência.
A partir daí, os investigadores realizaram diligências de campo, pesquisas em fontes abertas e levantamentos junto a operadoras de telefonia, instituições financeiras, plataformas digitais e sites utilizados para a publicação dos anúncios.
Uma das primeiras verificações ocorreu no endereço indicado pela suposta acompanhante. No local, moradores disseram desconhecer qualquer pessoa com o nome utilizado no anúncio. Um residente informou ainda que outro homem já havia procurado anteriormente pela mesma mulher naquele endereço, situação que reforçou a suspeita de utilização do local para atrair diferentes vítimas.
Durante as apurações, a Polícia Civil constatou que o mesmo número telefônico associado à falsa acompanhante aparecia em anúncios publicados em diferentes municípios e estados, mas com nomes e fotografias distintos.
Foram identificados anúncios utilizando identidades como “Camila”, em Naviraí, “Amanda Rios”, em Ponta Porã, “Fernanda”, em Cosmópolis, no interior de São Paulo, e “Pérola Negra”, no Rio de Janeiro. Para os investigadores, a repetição do mesmo contato em perfis diferentes ajudou a esclarecer a forma de atuação do grupo.
Informações fornecidas pelas plataformas digitais e empresas de telefonia permitiram avançar na identificação dos envolvidos. A investigação também reuniu elementos sobre as linhas utilizadas para o primeiro contato e para as ameaças posteriores.
Na parte financeira, a instituição bancária confirmou que os dois pagamentos realizados pela vítima foram destinados a uma conta pertencente a um dos investigados. Outros levantamentos apontaram conexões entre números telefônicos, perfis utilizados nos anúncios, dados financeiros e as pessoas investigadas.
Ao final do inquérito, cinco pessoas, com idades entre 25 e 31 anos, foram indiciadas, em tese, pelo crime de extorsão praticada por duas ou mais pessoas, conforme o artigo 158, caput e §1º, combinado com o artigo 29 do Código Penal.
Segundo a Polícia Civil, o indiciamento individualizou os elementos atribuídos a cada investigado, incluindo titularidade e utilização de linhas telefônicas, vínculos com os perfis empregados nos anúncios e relação com a conta bancária utilizada para receber os valores.
Depois de concluído, o inquérito foi encaminhado ao Ministério Público e ao Poder Judiciário. A 3ª Promotoria de Justiça de Naviraí analisou os elementos produzidos durante a investigação e apresentou denúncia contra os cinco indiciados. O oferecimento da denúncia não representa condenação, e as responsabilidades serão analisadas no decorrer do processo judicial.
A Polícia Civil alerta que golpes semelhantes vêm sendo registrados em diferentes estados do país. O método geralmente envolve anúncios falsos de acompanhantes, obtenção ou exposição de dados pessoais, ameaças em nome de supostos integrantes de organizações criminosas e exigência de pagamentos por PIX.
A orientação é para que vítimas não realizem novos pagamentos após receber ameaças e preservem mensagens, áudios, números telefônicos, comprovantes de transferências e demais registros digitais. O registro rápido da ocorrência pode facilitar o rastreamento de contas bancárias, linhas telefônicas e perfis utilizados na prática criminosa. Redação @Portaldoconesul
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