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Pesquisador da Embrapa, Éder Comunello alerta para a importância do planejamento antecipado diante dos riscos climáticos para a safra 2026/2027. (Foto: Reprodução/YouTube)
Por: Editorial | 09/10/2026 13:35
Os produtores rurais que esperarem os primeiros impactos do El Niño para proteger suas lavouras poderão enfrentar dificuldades para evitar perdas na safra 2026/2027. O alerta é da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), que recomenda antecipar as medidas de prevenção diante dos riscos climáticos previstos para diferentes regiões do país.
A orientação foi apresentada nesta sexta-feira (9) pelo pesquisador Éder Comunello, da Embrapa em Mato Grosso do Sul, durante a divulgação de uma nota técnica sobre os possíveis efeitos das condições climáticas na produção agropecuária do Centro-Oeste e de outras regiões brasileiras.
Segundo o pesquisador, medidas importantes para reduzir os impactos do clima precisam ser adotadas com antecedência, pois seus resultados dependem de um trabalho contínuo ao longo do tempo. Entre as práticas recomendadas estão o plantio direto, a manutenção da cobertura vegetal do solo e o aproveitamento eficiente dos recursos hídricos.
A preocupação envolve não apenas a produtividade das lavouras, mas também os custos de produção. Em cenários climáticos desfavoráveis, o investimento em insumos precisa ser compatível com o rendimento esperado, evitando gastos que possam comprometer a rentabilidade da atividade rural.
A recomendação é que os produtores avaliem cuidadosamente os recursos disponíveis e as condições previstas para cada propriedade antes de definir o volume de investimentos. O planejamento financeiro, nesse contexto, torna-se uma ferramenta importante para reduzir a exposição a possíveis prejuízos.
Medidas preventivas podem fazer a diferença
Entre as estratégias indicadas pela Embrapa está o Zoneamento Agrícola de Risco Climático (ZARC), ferramenta que orienta os períodos mais adequados para o plantio de diferentes culturas em cada município. A análise considera fatores como as características das plantas e a capacidade de armazenamento de água no solo.
Outra medida destacada é o Sistema Plantio Direto, que prevê a manutenção de cobertura permanente na superfície do terreno, a rotação de culturas e a redução do revolvimento do solo. Essas práticas contribuem para melhorar a infiltração da água, conservar a umidade e favorecer o desenvolvimento das raízes.
O uso de plantas de cobertura também pode ajudar na proteção das áreas agrícolas. Algumas espécies forrageiras aumentam a formação de palhada e favorecem o desenvolvimento de raízes mais profundas, contribuindo para a estrutura do solo e o aproveitamento da água disponível.
A Embrapa recomenda ainda verificar as condições de umidade antes de iniciar a semeadura, evitando o plantio em situações inadequadas. O acompanhamento das previsões meteorológicas, a adoção de técnicas ajustadas à realidade de cada propriedade e a avaliação de instrumentos de proteção financeira, como o seguro rural, também fazem parte das orientações.
Mato Grosso do Sul exige atenção ao comportamento das chuvas
As projeções climáticas apontam diferenças importantes entre Mato Grosso do Sul e os demais estados do Centro-Oeste. Enquanto Mato Grosso, Goiás e o Distrito Federal apresentam maior probabilidade de registrar chuvas abaixo da média, as regiões central e sul sul-mato-grossenses aparecem com tendência de precipitações acima do normal entre setembro e novembro.
Esse cenário, porém, não significa ausência de riscos relacionados à falta de água ou às temperaturas elevadas. A distribuição irregular das chuvas pode provocar períodos de estiagem em determinadas localidades e excesso de umidade em outras, afetando as culturas de maneiras distintas.
Os possíveis impactos variam conforme a região, o estágio de desenvolvimento das plantas e as características de cada propriedade. Por isso, o planejamento precisa considerar as particularidades locais, sem depender exclusivamente de previsões gerais para todo o estado.
A análise da Embrapa contempla atividades como o cultivo de soja, milho, algodão, arroz, feijão e cana-de-açúcar, além da pecuária, das pastagens e da produção florestal. Cada segmento apresenta vulnerabilidades específicas diante das mudanças nas condições de chuva e temperatura.
Elaborada em setembro, a nota técnica reúne recomendações para reduzir os riscos associados ao El Niño na produção agropecuária do Centro-Oeste. O documento apresenta cenários e medidas preventivas, mas não estabelece uma estimativa de perdas para a próxima safra em Mato Grosso do Sul.
Diante das incertezas climáticas, a principal orientação é agir antes que os problemas se intensifiquem. Para os produtores, antecipar decisões, preservar as condições do solo e controlar os custos pode ser fundamental para enfrentar a safra 2026/2027 com maior segurança e reduzir os efeitos de possíveis adversidades. Com informações: Campo Grande News
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