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Polícia impede festa do Dia das Crianças suspeita de financiamento de organização criminosa em MS


Ação em Pedro Gomes terminou com duas mulheres presas; investigação aponta que eventos semelhantes seriam realizados em três municípios do norte do Estado.
Policiais impediram a realização de festa infantil em Pedro Gomes após investigação apontar possível financiamento por organização criminosa (Foto: Divulgação/Polícia Civil). Por: Editorial | 14/10/2026 08:38

Uma operação conjunta das polícias Civil e Militar impediu a realização de uma festa do Dia das Crianças que, segundo as investigações, seria financiada por uma organização criminosa em Pedro Gomes, no norte de Mato Grosso do Sul. A ação ocorreu na segunda-feira (12) e terminou com duas mulheres presas.

De acordo com a investigação, a organização criminosa teria planejado eventos comunitários para distribuir alimentos, doces e brinquedos com o objetivo de se aproximar dos moradores e ampliar sua influência na região.

As informações levantadas pelos setores de inteligência indicavam que festas semelhantes seriam realizadas em três municípios: Sonora, Pedro Gomes e Coxim.

Polícia identificou preparativos da festa

Em Pedro Gomes, a comemoração estava prevista para as 15h, no campo de futebol do bairro São Luís. Conforme a apuração policial, os investigadores identificaram pessoas envolvidas na organização, além de contatos com fornecedores e uma liderança apontada como ligada ao grupo criminoso.

Um dos pontos que chamou a atenção das autoridades foi a previsão de pagamento em dinheiro pelos brinquedos infláveis que seriam utilizados no evento, o que, segundo os investigadores, poderia dificultar o rastreamento da origem dos recursos.

Quando chegaram ao local, os policiais encontraram duas mulheres preparando uma estrutura para distribuir alimentos às crianças. Uma delas afirmou que organizava uma comemoração para a comunidade, mas, segundo o registro policial, não apresentou autorização para o evento.

A investigação aponta que a festa seria financiada por integrantes da organização criminosa, inclusive por meio de movimentações bancárias de uma das suspeitas.

Celulares e transferências via Pix são investigados

Conforme as informações policiais, aparelhos eletrônicos apreendidos continham conversas com referências à organização criminosa, registros de participação em grupos ligados ao grupo e movimentações financeiras relacionadas ao chamado “projeto Dia das Crianças”.

Os investigadores também identificaram registros de transferências via Pix entre as investigadas. O material deverá contribuir para esclarecer a origem do dinheiro e a possível participação de outras pessoas no planejamento.

As duas mulheres foram presas e autuadas por suspeitas de crimes relacionados à integração e ao favorecimento de organização criminosa. A autoridade policial solicitou ao Poder Judiciário a manutenção das prisões e a decretação da prisão preventiva. Outras pessoas também são investigadas.

Evento semelhante foi interrompido em Sonora

Antes da operação em Pedro Gomes, uma ação policial em Sonora já havia impedido uma festa semelhante. Na ocasião, duas mulheres foram presas e cerca de 200 brinquedos e doces foram apreendidos.

Segundo a investigação, Coxim também estava entre os municípios onde a organização criminosa pretendia promover uma atividade voltada ao público infantil. Não foram divulgados detalhes sobre uma eventual intervenção na cidade.

Alimentos foram descartados

A Vigilância Sanitária municipal foi acionada para avaliar os alimentos que seriam distribuídos durante a festa em Pedro Gomes. Segundo o órgão, não foi possível confirmar a segurança dos produtos, pois não havia informações suficientes sobre as condições de higiene durante o preparo.

Diante da impossibilidade de atestar que os alimentos estavam próprios para consumo, o material foi considerado impróprio e descartado, sem possibilidade de reaproveitamento.

Investigação aponta tentativa de aproximação com moradores

De acordo com a análise policial, eventos comunitários e a distribuição de benefícios podem ser utilizados por organizações criminosas como estratégia para conquistar apoio, estabelecer vínculos com moradores e ampliar sua influência nos bairros.

Os investigadores avaliam que iniciativas desse tipo também podem contribuir para normalizar a presença de grupos criminosos nas comunidades e dificultar a colaboração da população com as forças de segurança.

O caso segue sob investigação para esclarecer a participação de cada suspeito, a origem dos recursos e a possível conexão entre os eventos planejados nos municípios do norte de Mato Grosso do Sul. Com informações: CaarapóNews/ PCMS

 

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