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Vacina brasileira contra malária recebe autorização para testes em humanos


Desenvolvido com participação da USP, imunizante será testado inicialmente em 48 voluntários; estudo vai avaliar segurança e resposta imunológica.
Vivaxin, vacina brasileira em desenvolvimento contra a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax, foi autorizada para iniciar testes clínicos em humanos. (Foto: Divulgação) Por: Editorial | 15/10/2026 16:00

Uma vacina desenvolvida no Brasil para combater a malária causada pelo parasita Plasmodium vivax recebeu autorização da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para iniciar os testes em humanos. Batizado de Vivaxin, o imunizante é resultado de uma parceria entre a Universidade de São Paulo (USP), a Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), por meio do Centro de Tecnologia de Vacinas (CTVacinas), e o laboratório Cristália.

A autorização representa um avanço na pesquisa de uma vacina contra a forma de malária mais comum no Brasil. Até o momento, não há imunizante disponível para uso na população contra o Plasmodium vivax, o que torna o desenvolvimento da Vivaxin uma iniciativa relevante para o enfrentamento da doença.

Primeira etapa terá 48 voluntários

O estudo clínico de fase 1 deverá contar com 48 voluntários saudáveis, com idades entre 18 e 59 anos, que nunca tiveram infecção por malária. A seleção dos participantes está prevista para começar em novembro de 2026.

Durante a pesquisa, os voluntários serão divididos em grupos que receberão diferentes doses da vacina ou placebo, uma formulação sem o princípio ativo. O esquema prevê três aplicações, com intervalo de 28 dias entre elas.

Os pesquisadores vão avaliar a segurança do imunizante, possíveis reações após a aplicação e a capacidade de estimular uma resposta do sistema imunológico. O acompanhamento dos participantes deverá durar um ano.

Resultados vão definir próximas etapas

A autorização para os testes não significa que a vacina já esteja aprovada para uso na população. Nesta primeira fase, o objetivo principal é reunir dados sobre a segurança e a resposta imunológica provocada pelo imunizante.

Se os resultados forem favoráveis, o projeto poderá avançar para as fases seguintes, com um número maior de participantes. A previsão é que etapas posteriores incluam cerca de 300 pessoas no Brasil, principalmente na região amazônica, antes de possíveis estudos em outros países.

A conclusão dos ensaios clínicos e a eventual solicitação de registro sanitário dependerão dos resultados obtidos ao longo da pesquisa. Ainda não há prazo definido para que a vacina possa ser disponibilizada à população.

Malária ainda preocupa no Brasil

A malária é uma doença infecciosa transmitida pela picada de mosquitos do gênero Anopheles infectados pelo parasita. Entre os sintomas mais comuns estão febre, calafrios, dor de cabeça e mal-estar. Sem tratamento adequado, a doença pode evoluir para formas graves.

Em 2025, o Brasil registrou 118.037 casos de malária contraídos no território nacional. Mais de 95% das ocorrências se concentram na região amazônica, onde o acesso ao diagnóstico, ao tratamento e às medidas de prevenção representa um desafio em determinadas localidades.

A Vivaxin poderá ampliar as ferramentas de combate à doença caso sua segurança e eficácia sejam confirmadas nas próximas etapas. Até lá, os pesquisadores precisarão demonstrar que o imunizante oferece proteção antes de qualquer possibilidade de uso amplo. Com informações: Metrópoles

 

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