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Presença de moscas e larvas em Ivinhema motivou a abertura de inquérito civil para apurar possíveis irregularidades sanitárias e ambientais em uma granja avícola (Foto: Autos).
Por: Editorial | 16/10/2026 10:51
Moradores incomodados com a presença constante de moscas e larvas em suas casas motivaram uma investigação do Ministério Público de Mato Grosso do Sul (MPMS) sobre possíveis problemas ambientais e sanitários relacionados a uma granja avícola em Ivinhema, no interior do Estado. O caso ganhou força após denúncias apontarem transtornos à população e possíveis riscos à saúde pública.
A apuração é conduzida pela 2ª Promotoria de Justiça de Ivinhema e teve início a partir de uma representação apresentada por um vereador do município. Segundo os relatos encaminhados às autoridades, a quantidade de insetos teria atingido níveis preocupantes, com registros fotográficos mostrando moscas sobre utensílios domésticos, embalagens de alimentos e diferentes áreas das residências.
Fiscalizações realizadas por órgãos públicos identificaram problemas relacionados ao controle de pragas e ao manejo das instalações da propriedade. As irregularidades observadas levantaram questionamentos sobre as condições sanitárias e os procedimentos adotados para impedir a proliferação dos insetos.
Em uma vistoria realizada no final de 2025, a Vigilância Sanitária Municipal solicitou à empresa o Plano de Controle e Manejo de Pragas e Moscas. Conforme os registros da fiscalização, o documento não foi apresentado naquele momento.
A situação voltou a ser examinada em 20 de agosto de 2026, quando técnicos da Agência Estadual de Defesa Sanitária Animal e Vegetal (Iagro) encontraram larvas vivas de moscas em diferentes fases de desenvolvimento nas instalações da granja, inclusive no estágio conhecido como L3.
O relatório técnico também apontou problemas na aplicação de inseticidas sobre os dejetos das aves, acúmulo de resíduos orgânicos expostos, telas danificadas nos galpões, portas abertas na área de compostagem e presença de entulho no núcleo avícola. Diante das condições identificadas, as instalações foram submetidas à interdição sanitária até que as inadequações fossem corrigidas.
O Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul) também notificou o empreendimento para providenciar melhorias estruturais e ambientais. Entre as exigências estavam a reforma da composteira, a implantação de uma área impermeabilizada para secagem dos dejetos com sistema de contenção de chorume, a regularização da captação de água subterrânea e a apresentação de um cronograma para reforma dos barracões.
Em nova inspeção, realizada no final de agosto, a Iagro identificou avanços nas condições dos galpões e uma interrupção temporária do ciclo de reprodução das larvas após medidas emergenciais adotadas pela empresa.
Na ocasião, a defesa técnica da granja informou que o estabelecimento passava por uma transição do sistema convencional de criação em gaiolas para o modelo de galinhas soltas sobre cama de maravalha. A empresa também não aceitou firmar um Termo de Ajustamento de Conduta (TAC), argumentando que já estava promovendo as adequações necessárias por iniciativa própria.
Apesar das melhorias verificadas durante as inspeções, novas reclamações de moradores do bairro Eco Park indicaram que a presença de moscas continuava afetando as residências próximas. A divergência entre os relatos da população e os resultados das vistorias levou o promotor de Justiça Allan Thiago Barbosa Arakaki a transformar a Notícia de Fato em Inquérito Civil.
Com a abertura do procedimento, o MPMS determinou novas diligências para esclarecer a extensão do problema e verificar as responsabilidades envolvidas. Entre as medidas previstas estão a oitiva de moradores, a realização de perícia técnica ambiental pela Secretaria de Desenvolvimento de Apoio às Atividades de Execução (Daex), o acompanhamento das exigências feitas pelo Imasul e pela Iagro e a concessão de prazo de dez dias úteis para manifestação da defesa e apresentação de eventuais quesitos periciais.
A investigação busca esclarecer se as condições de funcionamento da granja contribuíram para a proliferação dos insetos e se as medidas adotadas serão suficientes para evitar a repetição do problema. O objetivo é garantir que a atividade avícola seja exercida em condições compatíveis com a proteção ambiental, a saúde pública e a qualidade de vida dos moradores da região. Com informações: AconteceuMS
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