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Ação apresentada na Justiça de Campo Grande busca recuperar R$ 482,4 mil de um investimento realizado em 2024, além de indenização por danos morais (Foto: Divulgação/Grupo Dakila).
Por: Editorial | 16/10/2026 15:06
Uma disputa judicial envolvendo um investimento de centenas de milhares de reais chegou à Justiça de Mato Grosso do Sul. O médico paulista Renato Augusto Basso Alves entrou com uma ação para tentar recuperar valores aplicados em uma operação financeira vinculada à empresa Florim Serviços Financeiros Ltda., relacionada ao empresário Alan Fernandes de Oliveira, filho de Urandir Fernandes de Oliveira, dirigente do Grupo Dakila, conhecido nacionalmente pela história do chamado ET Bilu.
Conforme informações publicadas pelo portal Caarapó News, com base em reportagem do Midiamax, o médico afirma ter investido R$ 756 mil em março de 2024, após receber uma proposta que previa rendimentos de 6% ao mês durante 18 meses. A expectativa apresentada no negócio era de alcançar aproximadamente R$ 1,57 milhão ao final do período.
Segundo a petição judicial, o investimento foi realizado após a venda de um imóvel no interior de São Paulo, negociado por R$ 850 mil. O médico relata que confiou na proposta por causa dos vínculos dos envolvidos com a comunidade da qual fazia parte.
De acordo com os documentos mencionados na ação, foram realizados sete pagamentos mensais, que somaram R$ 273,6 mil, antes da interrupção dos repasses, em outubro de 2024. Diante da falta de continuidade dos pagamentos, o profissional passou a buscar a restituição do dinheiro investido.
Na Justiça, ele solicita a devolução de R$ 482,4 mil, referentes ao saldo que afirma não ter recuperado, além de R$ 50 mil por danos morais. O valor total da cobrança chega a R$ 532,4 mil, considerando os pedidos apresentados no processo.
GARANTIA DO INVESTIMENTO É QUESTIONADA
Outro ponto levantado pelo médico diz respeito às garantias oferecidas para a operação. Segundo a ação, o contrato mencionava três lotes localizados no chamado Cinturão de Zigurats, área associada ao complexo do Grupo Dakila, em Corguinho, Mato Grosso do Sul.
A defesa do investidor sustenta que os terrenos pertencem à Associação Civil Idakila e que o documento previa apenas a concessão temporária do direito real de superfície por cinco anos. Na avaliação apresentada pelo autor, essas condições não assegurariam proteção suficiente para recuperar os recursos aplicados.
O médico também afirma ter procurado Urandir Fernandes de Oliveira após a interrupção dos pagamentos. Segundo a petição, foram enviadas quatro cartas solicitando auxílio para recuperar o capital investido, mas não houve resposta.
JUSTIÇA NEGA BLOQUEIO URGENTE DE BENS
O processo foi apresentado à 13ª Vara Cível de Campo Grande. Entre os pedidos, o médico solicitou o bloqueio de contas bancárias, a restrição de veículos e a indisponibilidade de imóveis dos requeridos, até o limite de R$ 532,4 mil.
O juiz Fábio Henrique Calazans Ramos negou a concessão da medida liminar. Na decisão, o magistrado considerou que não havia elementos suficientes para comprovar, naquele momento, o risco concreto de dilapidação patrimonial que justificasse o bloqueio urgente dos bens.
A decisão também destacou que a controvérsia exige análise mais aprofundada das provas, incluindo a validade do contrato, a extensão das obrigações financeiras e a responsabilidade de cada parte. O processo deverá prosseguir com a citação dos requeridos e a realização de audiência de conciliação.
A negativa da liminar não representa uma decisão definitiva sobre o mérito da ação, nem determina, por si só, quem tem razão na disputa. A responsabilidade dos envolvidos e os valores eventualmente devidos ainda dependem da análise judicial.
DEFESA CONTESTA ALEGAÇÕES
Em manifestação encaminhada à reportagem, o advogado Ióron Mugart, que representa Alan Fernandes de Oliveira, afirmou que seu cliente ainda não havia sido citado formalmente no processo. A defesa classificou as alegações do autor como uma versão unilateral dos fatos e destacou que o caso deve ser analisado com garantia do contraditório e da ampla defesa.
O advogado também mencionou que a Justiça já havia negado o pedido de tutela de urgência, argumentando que os elementos apresentados inicialmente não foram considerados suficientes para justificar as medidas solicitadas. A defesa informou que não anteciparia publicamente outros argumentos que serão tratados no processo.
A reportagem original informou ainda que procurou a assessoria do Grupo Dakila, mas não recebeu resposta até a publicação. O espaço foi mantido aberto para manifestação.
O caso segue em tramitação na Justiça de Mato Grosso do Sul. A apuração judicial deverá esclarecer as condições do investimento, os compromissos assumidos pelas partes e a eventual existência de valores a serem restituídos. Com informações: Caarapó News
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