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Benito di Paula construiu uma carreira de mais de cinco décadas e marcou a música brasileira com sucessos como “Retalhos de Cetim” e “Charlie Brown”. (Foto: Reprodução/Facebook)
Por: Editorial | 19/10/2026 07:15
A música popular brasileira perdeu um de seus nomes mais marcantes neste domingo, 18 de outubro. O cantor, compositor e pianista Benito di Paula morreu aos 84 anos, em São Paulo, onde estava internado no Hospital 9 de Julho. O artista tratava um câncer havia cerca de um ano, segundo informações divulgadas por sua assessoria de imprensa.
Nascido Uday Vellozo, em 28 de novembro de 1941, em Nova Friburgo, na região serrana do Rio de Janeiro, Benito conquistou o público com uma identidade musical própria. Sua maneira de interpretar o samba, combinando melodias românticas, influência de ritmos como o bolero e o destaque do piano, ajudou a construir uma sonoridade reconhecida em todo o país.
A ascensão nacional aconteceu principalmente nas décadas de 1970 e 1980, período em que suas músicas passaram a fazer parte da memória afetiva de diferentes gerações. Com voz característica, presença marcante ao piano e interpretações carregadas de emoção, Benito se consolidou como um dos artistas populares mais reconhecidos de sua época.
Entre as canções mais conhecidas de sua trajetória está “Retalhos de Cetim”, lançada em 1973 e considerada um dos grandes marcos de sua carreira. A música ajudou a ampliar sua popularidade e abriu caminho para uma sequência de sucessos que permaneceram presentes no repertório da música brasileira.
Outras composições e interpretações que marcaram sua trajetória incluem “Charlie Brown”, “Mulher Brasileira”, “Se Não For Amor”, “Vai Ficar na Saudade” e “Do Jeito Que a Vida Quer”. As canções ajudaram a consolidar sua imagem como um artista capaz de unir o balanço do samba a letras sentimentais e arranjos que destacavam o piano.
Benito também ficou associado ao chamado “samba-joia”, expressão utilizada para definir uma vertente mais romântica e comercial do gênero, com forte apelo popular. O rótulo, porém, não resume toda a dimensão de sua obra, construída a partir de uma combinação particular de influências e de uma interpretação facilmente reconhecível.
Antes de se tornar um dos grandes nomes da MPB, Benito iniciou sua trajetória musical em apresentações em hotéis e casas noturnas. Ainda jovem, passou por diferentes cidades e encontrou em São Paulo um ambiente importante para desenvolver sua carreira e conquistar um público cada vez maior.
Seu primeiro álbum, lançado no início da década de 1970, marcou uma etapa importante dessa caminhada. Pouco depois, o sucesso de “Retalhos de Cetim” impulsionou sua projeção e o colocou entre os artistas de destaque da música brasileira.
Ao longo dos anos, o cantor também participou de projetos ligados à televisão e manteve uma relação próxima com o público por meio de apresentações ao vivo. Sua trajetória foi marcada pela permanência de suas canções no imaginário popular, mesmo com as mudanças de estilos e tendências na indústria musical.
A passagem das décadas não apagou a presença de Benito na música. O artista continuou ligado aos palcos e a novos projetos, mantendo contato com diferentes gerações de ouvintes. Em uma etapa mais recente da carreira, trabalhou musicalmente com o filho, Rodrigo Vellozo.
A parceria entre os dois resultou no álbum “O Infalível Zen”, lançado em 2021, projeto que aproximou a experiência musical de Benito de novas propostas e reafirmou sua disposição de continuar criando e interpretando.
Em 2025, o cantor também recebeu uma homenagem da escola de samba Águia de Ouro, no Carnaval de São Paulo, reconhecimento que reforçou a importância de sua contribuição para a cultura musical brasileira.
Benito di Paula morreu enquanto estava internado em São Paulo e enfrentava um câncer havia aproximadamente um ano. Informações publicadas pela imprensa apontaram que a doença era um câncer de próstata. A notícia da morte foi confirmada pela assessoria do artista.
A despedida encerra uma trajetória de mais de cinco décadas, mas sua obra permanece viva nas gravações, nas apresentações e nas lembranças de admiradores que acompanharam sua carreira. Seu legado está na forma particular como aproximou o samba do romantismo e transformou o piano em uma das marcas centrais de sua identidade artística.
Com sucessos que continuam conhecidos por diferentes gerações, Benito di Paula deixa uma contribuição importante para a música popular brasileira e uma história construída com personalidade, emoção e forte conexão com o público.
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