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Sobrecarga no trabalho preocupa brasileiros e acende alerta nas empresas, aponta pesquisa


Levantamento da Korn Ferry revela que 63% dos profissionais no Brasil perceberam aumento significativo das demandas nos últimos dois anos, enquanto muitos acumulam funções e enfrentam dificuldades para cumprir as tarefas.
Pesquisa da Korn Ferry aponta que 63% dos profissionais brasileiros perceberam aumento significativo da carga de trabalho nos últimos dois anos. (Foto: Shutterstock) Por: Editorial | 20/10/2026 07:28

A rotina profissional está cada vez mais intensa para boa parte dos brasileiros. O acúmulo de responsabilidades, a pressão por resultados e a falta de tempo para concluir atividades importantes estão entre os desafios enfrentados pelos trabalhadores. Um levantamento da consultoria global Korn Ferry mostra que 63% dos profissionais ouvidos no Brasil consideram que a carga de trabalho aumentou significativamente nos últimos dois anos.

Os dados fazem parte da terceira edição da pesquisa Workforce 2026, que reuniu respostas de mais de 16 mil profissionais de diferentes níveis hierárquicos em 11 mercados. No cenário brasileiro, o percentual ficou ligeiramente acima da média global, de 62%, indicando que a sobrecarga é uma preocupação relevante no ambiente corporativo.

O estudo também aponta que 47% dos participantes brasileiros afirmam estar ocupados demais para conseguir entregar resultados considerados importantes. Além disso, metade dos entrevistados relata que as demandas profissionais ultrapassam sua capacidade de execução, índice superior à média internacional, de 44%.

Acúmulo de funções aumenta a pressão

A ampliação das tarefas está relacionada, em parte, às mudanças na estrutura das empresas. Segundo a pesquisa, 59% dos profissionais brasileiros dizem assumir responsabilidades que correspondem a mais de uma função. O resultado se aproxima do índice global, de 61%.

Outro fator identificado é a redução dos níveis de gestão. Entre os entrevistados no país, 46% afirmaram que suas organizações diminuíram o número de gestores. Nesse cenário, 39% relatam falta de orientação clara sobre as prioridades profissionais.

A pesquisa destaca que novas atividades frequentemente são incorporadas à rotina sem que as anteriores sejam eliminadas. Com isso, os trabalhadores precisam dividir a atenção entre diferentes demandas, o que pode dificultar a concentração em tarefas estratégicas e comprometer a produtividade.

Para Rodrigo Araújo, representante da Korn Ferry no Brasil, o problema não está apenas na definição de prioridades, mas também na falta de tempo para executá-las. A avaliação apresentada pela consultoria é que as empresas precisam rever processos e reduzir atividades que contribuem pouco para os resultados.

Inteligência artificial também amplia as demandas

Embora a inteligência artificial seja apontada como uma ferramenta capaz de agilizar processos, sua adoção também traz novos desafios para os profissionais. De acordo com o levantamento, 52% dos brasileiros ouvidos afirmam que o uso dessas tecnologias aumentou a quantidade de tarefas esperadas em suas funções.

Por outro lado, 70% dizem ter recebido treinamento adequado para utilizar ferramentas de inteligência artificial, enquanto 74% relatam ganhos de eficiência com a tecnologia. Os resultados indicam que a capacitação pode favorecer a adaptação às novas ferramentas, mas não elimina a necessidade de reorganizar as atividades e estabelecer limites realistas de produtividade.

A pesquisa também identifica obstáculos relacionados aos processos internos. Para 52% dos entrevistados brasileiros, estruturas e procedimentos já existentes restringem o próprio desempenho. O dado reforça a importância de mudanças organizacionais que acompanhem a modernização tecnológica.

Lideranças intermediárias enfrentam dificuldades

Os gestores que atuam entre a direção das empresas e as equipes também aparecem entre os grupos pressionados pela transformação do trabalho. O levantamento mostra que 49% dos profissionais brasileiros ligados à liderança intermediária relatam exaustão diante do ritmo das mudanças, enquanto apenas 18% afirmam receber o suporte necessário de seus superiores para exercer suas funções.

Esse cenário pode dificultar tanto o acompanhamento das equipes quanto o cumprimento das metas corporativas. Para a consultoria, preservar a capacidade de atuação dos gestores exige planejamento, condições adequadas de trabalho e uma distribuição mais equilibrada das responsabilidades.

Salário e estabilidade ganham importância

Além da sobrecarga, o levantamento aponta mudanças nos critérios considerados pelos brasileiros ao escolher ou permanecer em um emprego. Em 2026, a remuneração aparece como o principal fator para buscar uma nova oportunidade, citada por 88% dos participantes. Entre os motivos para continuar no trabalho atual, o salário lidera com 92%, seguido pela segurança e estabilidade, mencionadas por 88%.

O tratamento justo e consistente também se destaca, sendo apontado por 86% dos entrevistados como um aspecto importante para permanecer na organização.

Os resultados indicam que as empresas enfrentam o desafio de conciliar eficiência, produtividade e bem-estar profissional. A revisão das prioridades, a distribuição adequada das tarefas e o fortalecimento do apoio às equipes aparecem como medidas relevantes para evitar que o aumento das exigências comprometa os resultados e a permanência dos trabalhadores. Com informações: MinutoMS

 

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