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Conselho de Supervisão da Meta apontou falhas recorrentes na moderação de conteúdos eleitorais e cobrou mais transparência nos procedimentos adotados pelas plataformas. (Foto: Divulgação/Meta)
Por: Editorial | 20/10/2026 13:34
Falhas na moderação de conteúdos políticos nas redes sociais voltaram ao centro do debate eleitoral. O Conselho de Supervisão da Meta, empresa responsável pelo Facebook, Instagram e WhatsApp, manifestou preocupação com erros recorrentes nos mecanismos utilizados para proteger a integridade das eleições e defendeu regras mais transparentes e consistentes para a análise de publicações e contas.
Em comunicado divulgado nesta terça-feira (20), o órgão destacou problemas registrados durante o período eleitoral no Brasil e nos Estados Unidos. Segundo o conselho, decisões equivocadas podem prejudicar a participação política tanto quando as plataformas removem ou restringem conteúdos legítimos quanto quando deixam de aplicar suas próprias regras em situações que exigem intervenção.
A manifestação ocorre em meio à disputa presidencial brasileira e às reclamações sobre possíveis diferenças no tratamento dado às campanhas dos candidatos Luiz Inácio Lula da Silva e Flávio Bolsonaro. A discussão também chegou ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), que cobrou explicações da Meta sobre os procedimentos adotados para garantir tratamento isonômico às candidaturas.
Conselho aponta problemas na aplicação das regras
De acordo com o comunicado, as falhas de moderação costumam aparecer em duas situações. A primeira ocorre quando as regras são aplicadas de maneira excessivamente rigorosa, levando à retirada de manifestações políticas legítimas. A segunda acontece quando a fiscalização é insuficiente e conteúdos que deveriam ser submetidos às normas permanecem disponíveis.
O conselho citou como exemplo a desativação temporária de uma conta do Instagram ligada ao movimento norte-americano No Kings, que mobiliza cidadãos em torno de manifestações e participação política. A Meta reconheceu o erro e pediu desculpas pelo bloqueio, atribuído a um procedimento automatizado.
No Brasil, o órgão mencionou restrições técnicas que atingiram contas relacionadas a um candidato à Presidência e provocaram acusações de interferência eleitoral. Para o conselho, situações desse tipo demonstram a necessidade de aprimorar os mecanismos de prevenção de erros e de revisão das decisões tomadas pelos sistemas automatizados.
Disputa eleitoral brasileira aumenta a pressão
A manifestação acontece após questionamentos da campanha de Lula sobre possíveis limitações na distribuição de conteúdos e no funcionamento de ferramentas da Meta durante a disputa presidencial. Entre as reclamações estão restrições relacionadas a anúncios políticos e diferenças observadas no comportamento da ferramenta de inteligência artificial da empresa ao lidar com solicitações envolvendo os candidatos.
A Meta nega favorecer qualquer candidatura e afirma que aplica suas regras de maneira igualitária. Em resposta encaminhada ao TSE, a empresa informou ter adotado medidas adicionais para garantir tratamento equivalente às campanhas, incluindo revisão humana, em até duas horas, de determinadas restrições automatizadas aplicadas a anúncios das contas oficiais.
A companhia também declarou ter corrigido limitações técnicas identificadas em sua ferramenta de inteligência artificial e realizado uma auditoria de publicações denunciadas por falta de identificação adequada do uso de IA.
O conselho de supervisão, por sua vez, não declarou que houve interferência eleitoral comprovada no Brasil. Sua manifestação concentrou-se nos problemas de moderação identificados e na necessidade de tornar os procedimentos mais confiáveis e verificáveis.
Falta de indicadores públicos preocupa órgão
Outro ponto destacado pelo Conselho de Supervisão é a ausência de métricas públicas suficientes para avaliar a eficácia das medidas adotadas pela Meta durante as eleições.
Embora a empresa divulgue números sobre anúncios armazenados, contas removidas e outras ações de fiscalização, o órgão considera necessário estabelecer indicadores capazes de demonstrar se os mecanismos de proteção eleitoral estão funcionando adequadamente e onde ainda existem falhas.
A cobrança não é inédita. Após problemas registrados durante as eleições presidenciais brasileiras de 2022, o conselho já havia recomendado a criação de critérios mensuráveis para avaliar a atuação da plataforma na proteção da integridade eleitoral.
Na avaliação do órgão, a transparência é essencial para permitir que autoridades, pesquisadores e a sociedade compreendam como as regras são aplicadas e identifiquem eventuais inconsistências.
Moderação digital se torna tema central das eleições
O episódio amplia o debate sobre a responsabilidade das grandes plataformas digitais durante períodos eleitorais. Com o uso crescente de ferramentas automatizadas e inteligência artificial, decisões sobre remoção de publicações, restrição de contas e distribuição de conteúdos podem ter consequências importantes para o alcance das mensagens políticas.
O desafio, segundo o conselho, é impedir que erros de moderação silenciem manifestações legítimas sem deixar de combater violações das regras e práticas que possam comprometer o processo democrático.
A cobrança por procedimentos mais claros e mecanismos de revisão mais eficientes reforça a importância de equilibrar a segurança das plataformas com a liberdade de expressão e a igualdade de tratamento entre os participantes da disputa eleitoral. Com informações: g1
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