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Drones fazem até 11 entregas de materiais ilegais em presídio de MS sob suspeita de facilitação interna


Operação do Gaeco investiga possível participação de policiais penais no envio de drogas e celulares para a Penitenciária Estadual de Dourados.
Policiais participam de diligências da Operação Colete de Troia, que investiga suspeitas de facilitação da entrada de drogas e celulares por drones na Penitenciária Estadual de Dourados (Foto: Divulgação/Gaeco). Por: Editorial | 21/10/2026 14:19

Entregas repetidas de drogas, celulares e outros materiais proibidos por meio de drones colocaram a segurança da Penitenciária Estadual de Dourados (PED), em Mato Grosso do Sul, no centro de uma investigação sobre possível participação de servidores públicos em um esquema criminoso. A apuração aponta que, em algumas ocasiões, os equipamentos realizaram até 11 entregas em poucas horas.

A investigação ganhou um novo capítulo nesta quarta-feira (21), com a deflagração da Operação Colete de Troia, conduzida pelo Grupo de Atuação Especial de Repressão ao Crime Organizado (Gaeco), do Ministério Público de Mato Grosso do Sul.

Foram cumpridos dez mandados de busca e apreensão em Dourados, Ivinhema e Rio Brilhante, além de Paranavaí, no Paraná. As diligências também ocorreram na penitenciária, onde os investigadores buscam esclarecer como os materiais ilícitos conseguiam chegar aos detentos.

Segundo informações apuradas pelo Campo Grande News, os drones sobrevoaram repetidamente a unidade prisional durante a madrugada, especialmente entre junho e outubro deste ano. Os equipamentos transportavam pacotes com drogas, aparelhos celulares, chips e outros produtos proibidos. Parte das encomendas foi interceptada, mas outras teria chegado aos presos.

Um dos principais pontos da investigação envolve as diferenças de atuação entre os plantões da Polícia Penal. Enquanto algumas equipes conseguiram impedir entregas e apreender materiais, outras registraram resultados distintos. Os investigadores procuram determinar se essas diferenças decorreram de limitações operacionais ou de possíveis omissões deliberadas.

Entre as justificativas apresentadas por servidores estão a falta de pessoal, armamentos e equipamentos de proteção para realizar intervenções durante a madrugada. A apuração também busca esclarecer por que o grupamento especializado de operações penitenciárias, que mantém uma base próxima à unidade, não teria sido acionado em determinadas ocorrências.

Um dos episódios que chamou a atenção ocorreu no domingo (18), quando, conforme informações divulgadas pela reportagem, 11 malotes teriam sido entregues por drones na penitenciária. Um policial penal investigado estava de serviço naquela ocasião, embora não fosse seu dia habitual de plantão.

Durante o cumprimento dos mandados, os agentes apreenderam o telefone celular do servidor e R$ 18 mil em dinheiro. A origem do valor e uma possível ligação com o esquema estão sendo investigadas. Até o momento, não há confirmação pública de que o dinheiro tenha relação direta com as entregas clandestinas.

As investigações tiveram início em 2024 e apuram a suspeita de uma organização criminosa envolvendo servidores públicos, detentos e pessoas de fora do sistema prisional. A hipótese investigada é que agentes teriam utilizado suas funções para facilitar a entrada de produtos ilegais que posteriormente seriam distribuídos ou comercializados dentro da penitenciária.

Em nota, a Agência Estadual de Administração do Sistema Penitenciário (Agepen) informou que colabora com o Gaeco e outros órgãos de segurança no combate à corrupção e à entrada de materiais ilícitos. A instituição também declarou que a Corregedoria acompanha as diligências e que vistorias estão sendo realizadas nas celas.

A agência ressaltou ainda que eventuais irregularidades individuais devem ser apuradas e que os responsáveis, caso as acusações sejam comprovadas, deverão responder conforme a legislação. Os nomes dos investigados não foram divulgados, e a operação busca esclarecer a participação de cada pessoa no caso. Com informações: Campo Grande News

 

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