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Boletim Focus reúne as expectativas do mercado financeiro para inflação, juros, câmbio e crescimento da economia brasileira (Foto: Marcello Casal Jr./Agência Brasil).
Por: Editorial | 05/11/2026 08:04
As perspectivas para a economia brasileira em 2026 ficaram menos otimistas nas últimas avaliações do mercado financeiro. As novas projeções indicam inflação mais elevada, dólar mais caro e juros em patamar superior ao esperado anteriormente. Ao mesmo tempo, a estimativa de crescimento econômico foi reduzida pela terceira semana consecutiva, conforme dados divulgados no Boletim Focus pelo Banco Central.
O levantamento reúne semanalmente as expectativas de instituições financeiras e analistas do mercado para os principais indicadores econômicos do país. A edição divulgada na quarta-feira (4) também representa a primeira atualização após o resultado das eleições presidenciais.
Entre os indicadores acompanhados está a taxa básica de juros, a Selic. A expectativa dos analistas para o encerramento de 2026 passou de 13,25% para 13,5%. Há quatro semanas, a previsão também estava nesse mesmo percentual.
Atualmente, a Selic está em 13,75% ao ano, o que indica que o mercado trabalha com a possibilidade de uma redução de 0,25 ponto percentual até dezembro. Para os anos seguintes, as estimativas apontam juros de 12,5% em 2027 e 11% em 2028.
A Selic é o principal mecanismo utilizado pelo Banco Central para controlar a inflação. Quando os juros aumentam, o crédito fica mais caro, o que tende a diminuir o consumo e conter a pressão sobre os preços. Por outro lado, taxas elevadas podem limitar investimentos e desacelerar a atividade econômica.
Já a redução dos juros favorece o acesso ao crédito e pode estimular o consumo e a produção, mas também exige atenção para evitar novas pressões inflacionárias.
Inflação continua no radar
As projeções para o Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), indicador oficial da inflação brasileira, também apresentaram elevação.
Para 2026, a estimativa passou de 5,19% para 5,22%. Quatro semanas antes, a previsão era de 5,01%, demonstrando uma revisão gradual das expectativas para o comportamento dos preços.
Em relação aos próximos anos, o mercado projeta inflação de 4,76% em 2027 e de 4% em 2028.
Outro indicador que chama a atenção é o IPCA-15, considerado uma prévia da inflação oficial. Em outubro, o índice registrou alta de 0,32%, acumulando avanço de 4,62% em 12 meses, acima do limite superior da meta de inflação.
A desaceleração em comparação com setembro, quando o indicador havia avançado 0,70%, foi influenciada principalmente pela redução nos custos da energia elétrica residencial, após a adoção da bandeira tarifária verde.
Em contrapartida, os alimentos continuaram pressionando o orçamento dos consumidores. Entre as maiores altas registradas em outubro estão o tomate, com aumento de 24,54%, a cebola, com 13,63%, a batata-inglesa, com 10,96%, e o arroz, que apresentou elevação de 5,80%.
Previsão de crescimento econômico diminui
O cenário também indica uma expectativa mais moderada para o desempenho da economia nacional. A projeção de crescimento do Produto Interno Bruto (PIB) em 2026 caiu de 1,8% para 1,76%, marcando a terceira redução semanal consecutiva.
O PIB representa o conjunto de bens e serviços produzidos no país e é utilizado para acompanhar a evolução da atividade econômica.
Para 2027, a estimativa de crescimento permanece em 1,2%. Já em 2028, os analistas esperam uma expansão de 1,8%.
Dólar apresenta projeção de alta
No mercado cambial, as expectativas também foram revisadas para cima. A previsão para o dólar ao final de 2026 passou de R$ 5,05 para R$ 5,34 em apenas uma semana.
Para 2027, a estimativa é que a moeda norte-americana encerre o período cotada a R$ 5,40. A mesma projeção foi apresentada para 2028.
As novas estimativas do Boletim Focus mostram que o mercado mantém atenção sobre os rumos da economia brasileira, especialmente em relação ao controle da inflação, à condução da política monetária e ao ritmo de crescimento do país nos próximos anos. Com informações: Agência Brasil
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