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Equipe multidisciplinar do Hospital Regional de Mato Grosso do Sul oferece acompanhamento especializado a pacientes com doenças graves, priorizando o alívio dos sintomas, o acolhimento e a qualidade de vida (Foto: Patrícia Belarmino/HRMS).
Por: Editorial | 05/11/2026 08:31
Receber o diagnóstico de uma doença grave não significa que o paciente precisa enfrentar sozinho os desafios do tratamento. Com a proposta de oferecer mais acolhimento, conforto e qualidade de vida, o Hospital Regional de Mato Grosso do Sul (HRMS) implantou um Serviço de Cuidados Paliativos e destinou dez leitos para atender pessoas que necessitam de acompanhamento especializado durante a internação.
A iniciativa representa uma ampliação da assistência hospitalar e busca proporcionar atenção integral aos pacientes, considerando não apenas os sintomas físicos, mas também as necessidades emocionais, sociais e familiares. O atendimento contempla adultos e crianças, com acompanhamento realizado por profissionais de diferentes especialidades.
Um dos aspectos importantes do novo serviço é a mudança na compreensão sobre os cuidados paliativos. Ao contrário do que muitas pessoas imaginam, esse tipo de assistência não é exclusivo para pacientes em fase terminal. O acompanhamento pode começar ainda no diagnóstico de uma doença grave e ocorrer simultaneamente aos tratamentos destinados ao controle da enfermidade.
A médica paliativista Fabiana Moreno, responsável pelo serviço, explica que o objetivo é garantir qualidade de vida durante todas as etapas da doença. Entre as condições que podem exigir esse acompanhamento estão câncer, insuficiência cardíaca, problemas renais e demências.
O HRMS já realizava avaliações de pacientes por meio de pareceres e interconsultas em cuidados paliativos há aproximadamente dez anos. Entretanto, com a criação da nova estrutura, o hospital passou a contar com leitos específicos para internação de pessoas acompanhadas pela equipe especializada.
O encaminhamento ocorre a partir das equipes assistenciais que atendem os pacientes internados. Após avaliação dos profissionais da especialidade, são definidos os cuidados necessários e a possibilidade de acompanhamento nos leitos destinados ao serviço.
Atenção que envolve pacientes e familiares
A proposta dos cuidados paliativos vai além do controle da dor e de outros sintomas. O trabalho também considera os impactos emocionais e sociais provocados por uma doença grave, oferecendo suporte aos familiares e às pessoas próximas do paciente.
A médica Fabiana Moreno destaca que o sofrimento pode atingir diferentes dimensões da vida, incluindo aspectos psicológicos, familiares e espirituais. Por isso, o atendimento busca envolver não apenas quem está internado, mas também aqueles que participam diretamente da rotina de cuidados.
A importância desse acompanhamento é relatada pela família de Maria de Lourdes Souza, de 53 anos, paciente oncológica desde 2023. Há três meses, ela passou a receber assistência da equipe de cuidados paliativos do hospital.
Seu filho, Jackson de Souza Ferreira, de 30 anos, conta que inicialmente a família ficou assustada ao ouvir o termo. Com o início do acompanhamento, porém, compreendeu a finalidade do serviço e percebeu mudanças positivas na assistência oferecida à mãe.
Maria de Lourdes também relata melhora após a transferência para um dos leitos especializados. Segundo ela, houve redução das dores e adequação dos medicamentos, além de maior atenção por parte dos profissionais responsáveis pelo tratamento.
Altas hospitalares e continuidade do atendimento
Desde junho, metade dos pacientes acompanhados pelo serviço recebeu alta hospitalar e retornou para casa. O atendimento, entretanto, pode continuar após a saída do hospital, conforme a localização do paciente e a disponibilidade da rede de assistência.
Quem reside em áreas atendidas pelo Serviço de Atenção Domiciliar (SAD) pode continuar recebendo acompanhamento em casa. Já os pacientes que vivem fora dessa área retornam ao HRMS para consultas ambulatoriais.
A equipe responsável pelo serviço é formada por quatro médicas paliativistas e uma enfermeira, que trabalham em conjunto com profissionais de diferentes setores do hospital. Participam desse atendimento enfermeiros, técnicos de enfermagem, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, psicólogos e assistentes sociais.
Política de cuidados paliativos também avança no Estado
A implantação do serviço no HRMS ocorre em meio à ampliação das políticas públicas voltadas aos cuidados paliativos em Mato Grosso do Sul.
Neste ano, a Secretaria de Estado de Saúde (SES) criou o Núcleo Estadual de Cuidados Paliativos, responsável por coordenar a implementação da Política Nacional de Cuidados Paliativos no território sul-mato-grossense. A iniciativa segue as diretrizes estabelecidas pelo Ministério da Saúde em 2024.
Para a diretora-presidente da Fundação Serviços de Saúde de Mato Grosso do Sul (Funsau), Marielle Alves Corrêa Esgalha, a criação dos novos leitos representa um compromisso com a assistência humanizada e com o bem-estar dos pacientes, independentemente do estágio da doença.
A proposta é garantir que cada pessoa receba atendimento adequado às suas necessidades, com respeito, dignidade e suporte especializado durante o tratamento. Com informações: GOV MS
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