|
Hoje é Sexta-feira, 24 de Julho de 2026.
Operação foi deflagrada nessa terça-feira - Foto: Divulgação
Por: | 28/05/2023 18:08
A quadrilha chefiada por dois moradores de Três Lagoas (MS) corrompia policiais militares de Ponta Porã, na fronteira com o Paraguai, onde a maconha era comprada, trazida para Campo Grande (MS), depois levada para os grandes centros do país.
Policiais federais desmantelaram a quadrilha durante operação realizada nessa terça-feira (14).
Investigadores da trama informaram que, em 14 meses, os traficantes movimentaram em contas de laranjas, como a polícia chama pessoas que emprestam o nome para ocultar bens de origem ilícita, em torno de R$ 155 milhões, uma média de R$ 11 milhões por mês.
Segundo a PF, os PMs suspeitos agiam como comparsas do bando e atuavam na Força Tática do 4º Batalhão da Polícia Militar de Ponta Porã.
Quatro nomes de militares, que seriam soldados, foram divulgados até agora: Tatiane Belarmino da Silva, Everton Gabriel Ferreira Lucas, José Fernando Roda Gomes e Jean Carlos Vaz Elias.
Contra eles foram cumpridos mandados de busca e apreensão, apenas. Por enquanto, ficam em liberdade aguardando manifestações judiciais. Podem ser presos depois, informou a PF.
Ainda de acordo com a PF, chefiavam a quadrilha Alexandre da Silva Paixão e Heitor Ferreira Gomes, apelidado de Gordinho. A dupla mora há tempos em Três Lagoas, mas ia com frequência para Pedro Juan Caballero, cidade gêmea a Ponta Porã, onde negociava toneladas de maconha, segundo a PF.
Nota divulgada pela PF, narra que durante as investigações, que se iniciaram em março de 2020, verificou-se a existência deste grande grupo criminoso liderado por dois indivíduos residentes do município de Três Lagoas.
Os líderes adquiriam carregamentos de droga em Ponta Porã e coordenavam, à distância, todo o transporte da droga, a qual era armazenada em um depósito em Campo Grande.
Após, a carga seguia para o entreposto três-lagoense, de onde era distribuída para diversos locais do país, principalmente interior e litoral paulistas, Grande São Paulo e interior de Minas Gerais.
Para a movimentação dos valores envolvidos nas negociações, revela o comunicado PF, a organização indicava contas bancárias de empresas de fachada para os compradores, fazendo com que o pagamento da droga chegasse diretamente ao fornecedor na região fronteiriça.
Estas contas eram administradas por um núcleo especializado em lavagem de dinheiro, que prestava este tipo de serviço ilícito a diversas organizações criminosas. Foi constatado que este núcleo movimentou, em um período de 14 meses, mais de R$ 155 milhões.
Também diz o comunicado da PF, que o lucro dos líderes três-lagoenses era recebido por meio de veículos, dinheiro em espécie e contas bancárias de parentes próximos, que integravam a organização criminosa.
Para ocultar o patrimônio arrecadado da infração penal, cita a nota, o bando investia, principalmente, em imóveis, que eram registrados em nome de terceiros. Em um período aproximado de um ano (entre 2020 e 2021), os líderes da organização criminosa teriam recebido, somente em valores creditados em conta correntes de seus “laranjas”, mais de R$ 3,5 milhões de reais.
Estima-se, relata a PF, que o lucro obtido com o tráfico tenha sido muito superior, haja vista os valores recebidos em espécie e bens não contabilizados.
Durante a investigação, foram presas oito pessoas em flagrante e apreendidos aproximadamente 500 kg de drogas, além da identificação de outros carregamentos apreendidos pertencentes aos investigados.
Na nota da PF é dito que nesta quarta-feira estão sendo cumpridos 63 mandados de busca e apreensão, 23 mandados de prisão preventiva, 7 mandados de prisão temporária, além do sequestro de 13 imóveis e do bloqueio judicial de contas bancárias de 33 pessoas físicas e jurídicas.
Entre os imóveis sequestrados estão uma Fazenda no município de Água Clara (MS) e uma casa de veraneio a beira-rio em Três Lagoas, propriedades com valores estimados em mais de R$ 4 milhões.
As medidas judiciais estão sendo cumpridas nos municípios de Três Lagoas, Água Clara, Campo Grande, Ponta Porã, Ribeirão Preto/SP, Guatapará/SP, Aparecida/SP, Guaratinguetá/SP, Potim/SP, Paulínia/SP, São José do Rio Preto/SP, São José dos Campos/SP, Guarujá/SP, José Bonifácio/SP, São Paulo/SP, Douradina/PR, Sarandi/PR, Maringá/PR, Maria Helena/PR, Colombo/PR, Laranjeiras do Sul/PR e Baependi/MG.
