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Adriano morreu aos 33 anos. — Foto: Redes sociais/Reprodução
Por: | 28/05/2023 18:08
Reunidos na varanda de casa, em Campo Grande, a família chora pela perda e revê fotos de Adriano Medeiros Pereira para entender como o rapaz partiu de forma repentina. O eletricista faleceu aos 33 anos, vítima de uma bala perdida enquanto estava à caminho do trabalho na manhã desta sexta-feira (27).
Antes que ele saísse de casa, Jessika Ozuna, esposa de Adriano, pediu para que ele não fosse trabalhar, já que o eletricista estava resfriado. Antes de ir, para o quê viria a ser o último dia de trabalho, o eletricista beijou, fez massagem e se despediu da esposa.
"De ontem para hoje eu senti dele não ir trabalhar. Falei para ele não ir, já que estava gripado. Ainda brinquei falando que: 'patrão não liga que a gente fique doente não, vai ficar doente e morrer, o serviço fica e você vai'. Hoje, ao invés de escolher as flores para o meu casamento, escolhi para o caixão do meu marido", relembrou Jessika.
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Esposa de Adriano relata com tristeza sobre a morte do marido. — Foto: David Melo/TV Morena
Era por volta das 7h quando uma pessoa do emprego de Adriano ligou para Jessika para avisar sobre a morte. Porém, antes do comunicado, a esposa da vítima já tinha visto nas redes sociais que um eletricista tinha morrido vítima de bala perdida na avenida Bandeiras.
"Recebi a notícia pelas redes sociais, nesse meio tempo eu recebi a ligação da empresa onde Adriano trabalha, falando que precisava do meu endereço, que precisavam falar comigo e que meu esposo tinha sofrido um acidente. Esperava alguma coisa ruim, mas não que ele tinha morrido antes de chegar ao trabalho", detalhou Jessika.
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Família guarda mochila que Adriano levava para o trabalho. — Foto: José Câmara/g1 MS
Jessika explica que Adriano não estava no local e hora errada. O caminho era feito diariamente pelo eletricista para ir ao trabalho. Nas costas, o rapaz levava uma mochila que carregava uma marmita de alumínio, uma garrafa térmica com café para os colegas de serviço e ferramentas de trabalho.
"A gente não está acreditando. Meu esposo era um cara trabalhador, honesto, que faz as coisas tudo certinho, nunca gostou de nada errado. Infelizmente ele estava indo para o serviço e levou um tiro. Imagina você, em um susto e depois apagar? Não está sendo fácil, estou sem chão", comenta Jessika.
Jessika era quem preparava a marmita para Adriano levar para o serviço. Antes de sair de casa, o casal já tinha planos para noite, iam fazer um jantar com os familiares. "Combinamos de fazer macarrão na chapa com meu tio, mas ele disse: 'não bebê, eu tenho que ir, às 16h eu saio e a gente vai'; Foi então que eu respondi e falei para ele ir com Deus e para que ele me mandasse uma mensagem assim que chegasse no trabalho".
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A mochila tem marca do tiro de bala perdida. — Foto: José Câmara/g1 MS
Após a morte, a família recolheu a moto do jovem, a mochila, a marmita, as ferramentas. Na motocicleta ainda há sangue de Adriano e o café está grudado à garrafa que foi rachada com o impacto da munição. A irmã da vítima, Adrielle Pereira, se apega aos objetos para lembrar do irmão. A mochila tem a marca da bala perdida.
"Ele era o meu tudo, brigava comigo porque eu sou muito teimosa e me ajudou tanto. Meu irmão era uma pessoa alegre, ninguém ficava triste perto dele, era muito brincalhão. Tá muito difícil aceitar a morte, eu era a mais nova, ele me protegia", detalha.
O capacete ficou completamente destruído. — Foto: David Melo/TV Morena
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Família se reuniu para um dar força ao outro. — Foto: David Melo/TV Morena
A família segue sem entender a morte repentina. Juntos por 16 anos, Jessika lembra dos planos que o casal já tinham em mente e estavam prestes a se concretizar.
"Namoramos por 10 anos, ficamos noivos há 4 anos e estamos casados há 2. Antes dos 16 anos nós já nos conhecíamos, ele era meu amigo. Crescemos juntos, era melhor amigo do meu irmão", relembrou Jessika.
"Não sei o que vou fazer, a gente foi na funerária para dar entrada nas coisas, foi o momento mais difícil. Escolher a flor, a música. A gente recém casou no cartório, nosso plano era casar na igreja, ter um filho", comentou Jessika sobre a tarde desta sexta.
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A sogra de Adriano chora ao rever fotos do genro. — Foto: José Câmara/ g1 MS
Maria de Fátima Ozuna, sogra de Adriano, ainda não entende a partida do genro. "Todo mundo que o conhecia, adorava ele, não tinha um que não gostava dele. Eu até perguntei se era a hora dele, se tinha encerrado a missão dele na terra", compartilhou.
Um vídeo feito por câmeras de segurança mostra o momento em que dois homens foram mortos por um atirador, ainda não identificado, por volta das 6h30 desta sexta-feira (27), próximo à rua Bom Sucesso, no Jardim Jockey Club - em Campo Grande (MS).
O alvo dos tiros, é dono de um lava jato onde o crime aconteceu. Segundo a Polícia Militar, o empresário foi morto com tiros na cabeça pelo suspeito que chegou ao local a pé. Diversas equipes policiais foram acionadas e o local do crime foi isolado.
A outra vítima foi Adriano. Ele passava pelo local, a caminho do trabalho, quando foi atingido por um tiro na região da axila esquerda. Mesmo ferido, o homem ainda percorreu cerca de 50 metros, até cair com a moto na calçada. Na mochila em que carregava foi encontrada uma marmita e uma garrafa de café. (g1MS)
